DIA NÃO
Ao que sei, a mãe levava o filho à escola e um desembestado qualquer enfaixou-se na traseira do carro quando estavam já prestes a chegar.
Tiveram que a desencarcerar e está no hospital, bastante ferida.
E o pai do menino, quando soube da notícia, terá reagido mal. O coração não resistiu e um enfarte acabou-lhe com a vida logo ali.
Aconteceu há poucas horas, muito perto daqui, este episódio foleiro que rasgou em pedaços o futuro previsto de uma família normal num dia que seria como os outros se o acaso não decidisse interferir de forma tão radical.
Passar-me-ia ao lado, esta tragédia, ou não passaria de uma história contada como um exemplo da vida que não podemos tomar por garantida e até poderia servir de mote para incutir na minha marafilha o quanto deve abraçar cada dia com todo o empenho em ser feliz enquanto tal for possível.
Mas não precisarei de dizer grande coisa.
O miúdo é seu amigo e colega de turma.
