MAPA DE MIM

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Percorro um caminho feito de estranhas coincidências e de surpreendentes revelações. Como se esse caminho fosse sendo construído por antecipação, não necessariamente por entidades divinas ou superiores (mas também, se calhar), para definir o traçado que me compete seguir.
E eu limito-me a agir, marioneta, ao sabor do terreno que me dão a pisar. Retalhos de informação, o asfalto, que o cilindro de intenções alheias calca para conduzir os meus passos e definir os meus traços, a minha conduta e a minha disposição.

Mando pouco, afinal, no rumo que defini. Ou julgava. Porque afinal apenas andava como um cego perdido no meio de um deserto qualquer. E continuo sem ver. Tacteio com os pés o caminho que alguém se predispõe a construir, só para mim. Sorriso palerma, como uma foca agradece a recompensa pelos seus malabarismos circenses, finjo que sei pensar e nunca atinjo o verdadeiro alcance das pistas que me dão. Ou que descubro sem querer.
Tropeço nas pedras soltas deixadas ao abandono nas margens do leito seco de um rio que passou, negligências, espalho-me ao comprido e levanto-me outra vez.

O acaso mal explicado e o mistério adensado que não consigo vislumbrar na escuridão da cegueira.

O que me cega é a luz do amor.
publicado por shark às 18:20 | linque da posta | sou todo ouvidos