A POSTA NAS TEORIAS DA RELATIVIDADE CONSPIRADA

Há pouco, em conversa com alguém na caixa de comentários da posta acerca de si própria (a caixa) e das questões sensíveis que isto da liberdade de expressão versus poder de decisão levanta a propósito da blogosfera, percebi o quanto é fácil tornarmo-nos tão irritantes, tão enervantes, tão insuportáveis para alguém que isso até pode levar as pessoas a ocultarem tais emoções tão intensas por detrás do anonimato que, no final das contas, não as protege de fazerem má figura perante si mesmas.

 

Isto a propósito dos chineses, vejam só, e de como a minha descarada aversão à sua crescente dominação da economia mundial desenvolve em mim um sentimento xenófobo que muito fragiliza a minha imagem o acto de o vir aqui confessar.
É verdade, consigo trair assim a minha génese esquerdalha, hipotecando qualquer ambição política na única área ideológica que algum dia poderia acolher o meu pensamento desalinhado com os dogmas mais caros às mais importantes correntes políticas e até às religiões mais profícuas na sua ingrata tarefa de evangelização.

 

Eu temo os chineses. Ou melhor, nada me move de hostil para com a população da China, nomeadamente em função da raça predominante, da língua, ou mesmo dos valores culturais da extraordinária nação que a História documenta. Eu temo a passividade dos chineses perante um regime cruel que os está a formatar a nível interno e começa agora a apanhar a boleia da crise financeira mundial para, assim o pensam os paranóicos como eu, estenderem essa sua marcada apetência para tibetizarem as coisas que de alguma forma os incomodam.
Os paranóicos como eu distinguem os factos que justificam tal medo na vergonhosa recusa por parte do Primeiro-Ministro de Portugal em receber, e com honras de Estado, o Dalai Lama que eu como cidadão receberia com o maior orgulho na minha casa como na minha Pátria que jamais aceitarei possa vender a alma e ignorar os princípios que deve defender em meu nome.

 

Isto a propósito do medo do desconhecido. Esse justifica-se apenas pelo instintivo receio que a incógnita produz. Quando ultrapassamos essa questão, o medo desaparece e de imediato prevalece a reacção natural, lógica, a lucidez que nos leva a estudar o desconhecido e a perceber-lhe as fragilidades mais óbvias. Como a de alguém reunir a força e a motivação necessárias para antagonizar alguém, para tentar de alguma forma desacreditar uma pessoa, e não ser capaz de abraçar a coragem de o fazer de forma clara, bem identificada, típica de quem possui uma razão e não tem motivo para recusar esgrimi-la.

 

É essa a maior fragilidade de quem aproveita o anonimato das caixas de comentários para escrutinar seja quem for. A cobardia, impossível de negar em tais circunstâncias.

Tal e qual as evidências que conotam o actual regime chinês com coisas medonhas para o pensamento e forma de vida ocidentais. E não se trata do desconhecido, não faltam episódios, factos que comprovam uma tendência de desrespeito por valores que nos são gratos, essenciais. Por isso o meu medo encontra uma razão de ser e o assumo de cara à vista, mesmo correndo o risco de nunca mais obter um visto para percorrer a Grande Muralha ou ver com os meus olhos a expressão dos olhares tibetanos que a ambição chinesa já conseguiu amordaçar.
Ou de atrair para estas caixas mais anónimos incapazes de debaterem comigo seja o que for de cara à vista como eu, sem medos, pois não subscrevo limites à liberdade de expressão que não os que o sentido de responsabilidade possa incutir de forma individual, nem faço mais do que argumentar as minhas razões perante quem as pretenda questionar.

Ou seja, no final disto tudo temos questões que às tantas são irrelevantes e não justificam sequer que meia dúzia de pessoas (pouco mais) tivessem perdido o seu tempo a ler esta estucha.
Não tenho a mania de que sou imortal.

 

E os chineses, os maus da fita, tal como os anónimos que comentam em blogues sem túbaros para fazerem as coisas de forma frontal e não por detrás da capa do anonimato ou da paixão súbita pela economia de mercado, não passam de personagens em trânsito num guião que nunca mais tem fim e cedo ou tarde acabará por denunciar-lhes as óbvias distorções na percepção da realidade, essa rebelde que no final das histórias acaba sempre por impor o seu final mais ou menos feliz.

publicado por shark às 16:35 | linque da posta | sou todo ouvidos