TÁ DITO

Sim, sinto-me grato. Não porque deva qualquer agradecimento por tudo aquilo que me dão, de livre vontade, mas por ser mesmo verdade que prezo a gratidão e a acarinho como um sentimento que em nada me prejudica nutrir.


Preciso de reconhecer a minha dependência do amor que me é dado, o amor que é dedicado a alguém que não consegue esconder imperfeições e que se presta a emoções negativas, a momentos sem sentido à luz dos sentimentos em questão.
Preciso de falar pelo coração, preenchido pela certeza que me confere a firmeza com que o amor me é afirmado e como me sinto encantado por poder experimentar a sensação de ser o centro da atenção emocional de alguém que me ama, que me quer bem, e que me oferece em cada dia tudo aquilo que a vida tem para mim de melhor e essa dádiva é o amor de que sou alvo.

 

Sim, sinto-me dependente e saboreio cada instante como um viciado nesse amor que me é dedicado apesar de eu não me reconhecer capaz de o merecer como devia.
Sinto-me bafejado pela sorte por saber que um dia a minha morte não será indiferente, pelo menos a toda a gente que algum dia me amou. Sei aquilo que sou e nada mais poderia ambicionar do que ter alguém para me chorar porque me sentirá a falta quando esse dia chegar, o lado triste que isto de amar também revela na sua realidade, o tormento que é a saudade impossível de mitigar.

E quero mesmo aproveitar o meu tempo para fazer justiça a esse sentimento que aprendi a cultivar ao longo de uma vida em que o amor foi o farol da existência e tudo o resto assume a irrelevância das coisas que não fazem história.
Quero deixar-me na memória de quem me ame como um homem capaz de reconhecer o valor que gostaria de ter igual ao que esse amor significa para mim.

 

Sim, sinto-me assim, feliz por ter nascido e por ao longo do caminho percorrido ter tido a oportunidade de admitir a minha vaidade por me sentir importante enquanto amigo e enquanto amante e sobretudo na pele de um pai.

 

Pressinto que se esvai aos poucos o tempo em que posso viver cada sentimento acolhido no coração e quero expressar a gratidão por essa experiência de vida que é boa quando sentida de forma intensa, inesquecível.

 

Porque sim, sinto-me perecível e não quero viver com o risco constante de deixar algo de importante por dizer.

publicado por shark às 11:32 | linque da posta | sou todo ouvidos