A POSTA NAS BOCAS DO INFERNO

São indissociáveis, a boca generosa mas um nadinha palerma da Manuela Moura Guedes e a boca retorcida mas um nadinha imbecil do Mário Crespo. Foram unidas, siamesas, pela intervenção cirúrgica (uma lobotomia) dos que se entretêm a produzir mártires da Imprensa para a Imprensa glorificar.

 

A liberdade de expressão, essa jovem motivadora de uma súbita ansiedade de muitos dos que há umas décadas atrás anuíam agradados pela sua bolinha baixa, está de novo a servir de mote para um qualquer figurante se empoleirar num falso estatuto de protagonista.
O filme em causa é uma produção fictícia embora de humor só tenha o ridículo do guião. A Manuela, tal como o Mário, são sumidades fabricadas, tão made in china como as lanternas baratas que começaram a inundar o mercado na ressaca do sismo no Haiti e surgiram igualmente por coincidência e não por virem a talhe de foice para agitar as águas passadas do papão da maioria absoluta que meses atrás, no episódio da Manuela, ainda poderiam ter esse álibi democrático (adoro estas expressões da moda) mas no caso do Crespo pecam por absoluta falta de nexo.

 

Bom, começo por declarar publicamente a minha aversão aos dois cromos a que acima faço referência. Isto para que não restem dúvidas quanto à parcialidade da minha opinião.
Essa indiferença que degenerou em repulsa na sequência das pantominas do par de figurões (figurinhas) deriva da minha avaliação enquanto espectador e leitor daquilo que foi o seu trabalho medíocre ao longo dos anos em que os suportei.
Uma e outro quase se celebrizaram pelas suas tiradas a despropósito ou, mais frequentes, pelos seus excessos típicos de quem comprado pelo que vale e vendido pelo que julga valer renderia uma fortuna a qualquer negociador.

 

Essa é a minha opinião de amador, de anónimo a quem impingem estes fósseis por questões conjugais (tirem o pedestal moniz à manela e logo se verá o tamanho do trambolhão) ou por simples habituação (como um gajo usar sempre a mesma marca de lâminas só porque sim, porque é costume e tal) ou apenas porque neste país os medíocres continuam a promover-se entre si à fartazana e depois dá no que se vê e se lê.
Da Manuela Moura Guedes retenho uma tentativa de execução sumária de Marinho Pinto em directo. Saiu enxovalhada, o Bastonário não é um menino de coro, e deveria ter sido corrida do seu posto logo nessa altura.
E do Mário Crespo fixei uma entrevista a um médico ao longo da qual o jornalista interrompeu o entrevistado de forma repetida para falar de um seu problema antigo de saúde e acabando por transformar a dita entrevista numa consulta de Clínica Geral ao vivo.
São duas referências a que por acaso assisti e dizem o que há a dizer da personalidade da dupla-maravilha que dá a cara (ainda maior azar o nosso) pelo novel fantasma da censura aos grandes profissionais da informação parola e umbiguista da nossa praça.

 

Por tudo isto não consigo entender o alarido em torno de seja o que for que envolva aqueles dois e só falo no assunto porque de vez em quando um gajo precisa de temas actuais para uma posta e qualquer palhaçada é sempre um tema divertido para escrever.

publicado por shark às 12:03 | linque da posta | sou todo ouvidos