A POSTA NA CONTA POUPANÇA-FUTURO

Parece que vai mesmo concretizar-se a ideia (para os parvos peregrina) da Conta Poupança-Futuro, um depósito (um investimento) do Estado no valor de €200 por cada bebé e que poderá ser reforçado pelos progenitores até à maioridade, altura em que o saldo obtido estará disponível para custear a entrada na idade adulta se o jovem tiver conseguido completar o 12º ano de escolaridade.
Em resumo é isto. E tal como aconteceu com o Magalhães, a quem toda a gente se apressou a apontar defeitos, limitações e ainda a fiscalidade manhosa da empresa responsável, não faltam os melgas prontos para encontrar as múltiplas falhas e esquemas e conspirações associadas a esta iniciativa a todos os títulos notável.

 

Consigo sempre surpreender-me com a mesquinhez generalizada, mesmo tendo-a como um facto indissociável do mau feitio portuga. Por isso fico boquiaberto quando ouço argumentos como o de que só poder levantar o pilim depois dos dezoito faz com que não traga grande benefício às pessoas mais desfavorecidas, uma estupidez típica da mentalidade espalha-brasas e imediatista que vai acabar por nos pôr todos a pedir.
Mas também acho notável o esforço de associar esta iniciativa do Governo a um conluio qualquer com a Banca, mesmo sendo apenas opcional o depósito numa instituição bancária em vez de confiado à gestão directa do Estado, uma teoria própria dos deita-abaixo que nem coisam nem deixam coisar.
Todavia, o mais imbecil e ingrato dos argumentos é o clássico: “ah, só duzentos euros? Isso mesmo em dezoito anos não vai dar quase nada no fim.” Ó suas aventesmas: é dado, oferecido, grátis! Nem que fosse metade, gente tola...

 

A Conta Poupança-Futuro abre um precedente a ter em conta, pois trata-se de uma medida que (a cerca de metade do custo de um só helicóptero daqueles muita bons que o Portas nos arranjou) estimula hábitos familiares de poupança, incentiva o sucesso escolar e ilustra uma forma decente de aplicar o dinheiro dos nossos impostos (o que é raro nos dias que correm).
Daí a minha falta de pachorra para quem se vai debruçar com afinco sobre o assunto em busca do pelinho encaracolado capaz de desmascarar mais um provável embuste colossal. Sim, continuo a evocar a reacção ao Magalhães do qual poucos perceberam a dimensão e relevância, tão entretidos que andaram os restantes a procurarem as debilidades num projecto levado a cabo num país que até há poucas décadas atrás era uma absoluta parvónia em termos tecnológicos e não só.

 

Detestaria estar na pele de qualquer Primeiro-Ministro de Portugal que leve com esta maltosa tão afeiçoada ao cepticismo, à inveja, à ingratidão e ao desdém. Parece que quem manda nunca acerta se não mandar com a nossa cor. Ou mesmo que assim seja, pois aí pegamos pela personalidade, pelos hábitos sexuais ou seja pelo que for que possa inferiorizar o líder de ocasião.
Até a arrogância serve de argumento para arriar no Sócras, esse malandro.

 

De resto, um argumento esgrimido muitas vezes pelos que manifestam a sua saudade pela imensa austeridade e disciplina imposta pelo simpático Salazar...

publicado por shark às 21:16 | linque da posta | sou todo ouvidos