IL SILENZO

Palavras demais. Deixadas à solta para saltarem de boca em boca como os beijos que as silenciam.

Palavras que arrepiam como lábios que enfatizam o toque com o calor da respiração, na pele, no coração, curto-circuito que transforma corpos inteiros em estradas para as palavras demasiadas que saturam quando ouvidas por quem já não tem espaço para as albergar nem vontade de as aturar por soarem excessivas.
Palavras banidas aos poucos por quem toma consciência da sua irrelevância na maioria das ocasiões. Mesmo quando exprimem emoções que deveriam ser todas prioritárias e nunca desnecessárias por se revelarem incapazes de cumprir o seu desígnio de transmitir aquilo que alguém sentiu ou pensou.
Palavras como gotas de água num copo que há muito transbordou. Derramadas como leite que ninguém chora porque fome só existe lá fora e a de conversa é mitigada noutro tempo ou noutro espaço qualquer.

 

Palavras que ninguém quer por serem indesejadas, sejam verdades que se preferem caladas ou apenas vontades que são mal interpretadas por quem as acha, por defeito, palavras demais.

 

E só lhes sentem a falta depois de expiradas as palavras finais.

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publicado por shark às 18:25 | linque da posta | sou todo ouvidos