ESQUECIMENTO GLOBAL

As janelas abertas que alguém fechou, fronteiras instantâneas entre a escuridão interior e a luz e o calor excessivo do sol.
O pó das estrelas que alguém limpou, imprudente, da memória colectiva de uma origem comum que ao longo do tempo o vento espalhou pelas prateleiras vazias de respostas e de soluções.
Vazias também de ilusões acerca do futuro risonho no rosto de um sonho baptizado de Deus, sem livros sagrados, sem livros pintados com a cor que as palavras lhes dão, inteligência e emoção, ausentes no armário macabro nas paredes de uma casa imaginária com as janelas fechadas por alguém cuja glória se perdeu quando o recheio daquela estante desapareceu e ninguém restou para a contar. A história que se esqueceram de consultar para aprenderem as suas lições antes de perecerem à mercê de tempestades e de furacões que espalharam pela terra as sementes perfeitas para a colheita final.

 

A derrota do bem relativo contra um mal indecente, a seca provocada pelo sol escaldante e a fome impossível de suportar e que levou as pessoas a matar até ser claro para todos que cedo ou tarde chegaria a sua vez.

 

O pano na mão de alguém que se desfez em lágrimas até que a fonte secou, até ao disparo fatal.

 

No dia em que no mundo ecoou o último tiro para a partida final.

publicado por shark às 22:40 | linque da posta | sou todo ouvidos