A POSTA ANCORADA

voltas trocadas 

 

Uma das maiores fontes de sarilhos que enfrentamos no dia a dia é o que pode resultar de uma má gestão das expectativas. Se, por um lado, ambicionar em excesso conduz invariavelmente à desilusão, ser pobre a pedir nem sempre nos poupa a surpresas mais ou menos desagradáveis.

 

O equilíbrio é um must de qualquer existência tranquila. Por isso é tão premente o adequar das nossas acções em função dos resultados que almejamos. E nestes reside o busílis de muitas das questões com que nos confrontamos, surpreendidos pela negativa ou pelo seu antónimo de acordo com aquilo que traçamos como objectivo para justificar o nosso empenho.
Quero com isto dizer que é importante sabermos a todo o instante até que ponto os nossos actos e omissões podem conduzir a um ou a mais desfechos, no sentido de nos prepararmos para todas as eventualidades e de medirmos as consequências potenciais dos mesmos.

 

Na gestão das expectativas, como em qualquer outra, não podemos descartar o poder das variáveis. É uma questão mais pragmática do que lógica ou matemática, esse cuidado com as probabilidades que nos deveria obrigar a equilibrar o binómio acção/reacção (consequência?) para evitarmos as tais surpresas que nos entalam.
Se é importante apontarmos as baterias para uma disciplina permanente em termos de limites para a nossa iniciativa, é ainda mais importante termos em conta os planos de contingência para salvaguardar a perda do tal equilíbrio fundamental entre a dinâmica das nossas pretensões, a ambição que é o motor de todas as realizações humanas, e a ponderação dos desvios possíveis em função das circunstâncias.
Concretamente, ou sabemos exactamente o que queremos e o que nos propomos fazer para o alcançar ou acabamos a vaguear à deriva sobre o mar encrespado das consequências dos excessos que conduzem a finais menos felizes.

 

Claro que o exemplo extremo a que alude a ilustração desta posta serve apenas para definir os contornos de uma má gestão das expectativas, de um resultado possível para um desvio sem rede à linha de orientação previamente definida.
Mas clarifica o sobressalto possível que nos espera, aos impulsivos em rédea solta, sempre que embarcamos num entusiasmo juvenil sem acautelarmos a presença a bordo de uma âncora...

publicado por shark às 14:47 | linque da posta | sou todo ouvidos