DADOS ADQUIRIDOS

Ouvi ontem num programa de televisão o desabafo de um actor anão quanto às lamurias de amigos preocupados com a queda do cabelo e coisas assim, sendo fácil de conceber o quanto o entediam essas queixas que só podem mesmo derivar de uma tendência generalizada para a auto-comiseração.

Outra vertente do problema é a incapacidade de discernir as questões sérias das acessórias, acabando isso por resultar no excessivo enfatizar de coisas menores em detrimento das verdadeiramente importantes que se deixam ao relento próprio do que temos por certo e seguro.

 

Depois ocorreu-me a situação na nova Pérsia, o Irão que de repente se tornou num papão, numa ameaça, mas onde está a acontecer uma revolta crescente por parte de quem já não suporta mais a progressiva perda de direitos elementares como a liberdade de expressão.
É óbvia a reacção instintiva do poder iraniano, aliás, de qualquer poder perante a insurreição cada vez mais difícil de conter. A limitação da Imprensa estrangeira, a restrição do acesso aos telemóveis e, naturalmente, à internet constituem os anti-corpos de qualquer regime ditatorial e provam que mesmo em democracia existirá sempre uma propensão para controlar a informação como forma de evitar a propagação de movimentos e/ou de ideias incómodas para quem calha mandar.

 

E de imediato me foi fácil chegar ao queixume dos que na blogosfera se afirmam sem ideias, saturados, esgotados e, grosso modo, sem pachorra para alimentar este instrumento de liberdade que temos mas não poderemos jamais (os sinais em sentido contrário multiplicam-se) ter como garantido na sua forma actual.
Os iranianos reformistas, amordaçados pela teocracia fundamentalista instalada no seu país, bem gostariam de poder postar como nós. Bem gostariam de poder revelar a sua verdade dos factos que os líderes em Teerão tentam a todo o custo impedir de chegarem ao conhecimento da sua população e da do resto do mundo que a possa ajudar na luta pelos direitos essenciais.

 

Por isso percebo o quanto não passamos de meninos mimados, ocidentais estragados pelo excesso de tudo e mais alguma coisa que nos priva (também) da lucidez necessária para defendermos com unhas e dentes o pouco de bom de que efectivamente dispomos.

E entre essas benesses que pouco ou nada fazemos por merecer está este direito de que usufruo e convosco partilho e do qual não tenciono abdicar.

publicado por shark às 14:17 | linque da posta