A POSTA ACORRENTADA

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Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que o diferenciem do comum dos mortais. E, além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.]

E pronto. Foi ela a primeira a convencer-me a aderir a este tipo de questionário. Nunca calhou e, de resto, também não recebi até hoje algum que me parecesse interessante do ponto de vista de quem lê.
Quem me lê já me ouviu falar do cariz algo excêntrico de uma parcela marginal da minha personalidade. Pois bem, é óbvio que o conjunto das minhas manias não legitima essa alegada inclinação.

Primeira: Mania da perseguição.
É um traço marcante da minha atitude perante a vida. Persigo objectivos irrealistas (utópico) e acredito que todo o mundo me persegue com fins suspeitos (paranóico). Sou perseguido pelas sombras sinistras do meu dentista a cada nova garfada e do meu banco a cada fim do mês.

Segunda: Mania das grandezas.
Tendo a esquecer a minha origem (e o meu final) de poeira cósmica, bem como a soma astronómica das minhas limitações. Nunca comparo o meu com o de um elefante mas com o de um colibri (estou a falar do cérebro, claro). Gostava de ser rico (milionário), belo (irresistível) e inteligente (realista).

Terceira: Mania da diferença.
Desde puto, sempre fomentei as peculiaridades que pudessem distinguir-me do resto da multidão. Mesmo as mais absurdas. Como ser o primeiro aluno expulso na carreira da minha professora de História (que também era a presidente do conselho directivo), no liceu. Ou o primeiro aluno suspenso (três dias, ex aequo com o meu melhor amigo da altura) na escola primária que frequentei. Ou ser o primeiro líder estudantil a explorar em benefício próprio um esquema de transferências (pagas) de jogadores no campeonato de futebol organizado pela Associação de Estudantes.
Tudo isto depois de constatar que não poderia ser o primeiro ser humano a pisar a lua e antes de desistir da ideia de ser o pioneiro da legalização (institucionalização) da poligamia em Portugal.
Diferente na mania intransigente de que o sou. E até quase aos 20 anos acreditei ser o único homem do planeta com a pila inclinada para a esquerda (não sei se esta mania conta).

Quarta: Mania das ilusões
A minha existência resume-se às ilusões que sistematicamente alimentei nos outros e em mim próprio para, invariavelmente, as reduzir à poeira cósmica primordial (no princípio é que era o caos, mas comigo é no fim - podia incluir-se na mania anterior, mas tenho que esticar a cena para completar o quinteto).

Quinta: Mania dos finais felizes.
Todas as minhas estórias devem ter um epílogo satisfatório. Sobretudo em matéria de refeições (uma boa sobremesa é um must e deixo SEMPRE o melhor para o fim), de conflitos (o melhor de uma boa zaragata é uma excelente reconciliação) e de sexo (aqui incluo, por sistema, o fim também no princípio pois uma boa sessão de preliminares é um aperitivo que se degusta com a satisfação de uma refeição completa).

E pronto, como se pode constatar sou um bocejo em matéria de bizarrias e de anormalidades catitas. Nem um fetiche em condições consigo assumir para gáudio de uma assistência ávida de segredos inconfessáveis.
Ah, e agora tenho que cumprir o regulamento acima pois não quero ser o empata (break the chain). E vou designar meia dúzia, pois não tou a ver um certo moinante a cumprir o seu quinhão e só o "misturo" para anunciar o seu regresso às lides a solo...
Assim, temos:

Soslayo - In Mente
João Pedro da Costa - Ruínas Circulares (é verdade: regressou, o gajo)
LN - Conversamos
Vague - La Maree Haute
Sofia - O Tecto
Manu - Josferlam (podes responder em francês, no teu blogue, se preferires)
publicado por shark às 22:20 | linque da posta | sou todo ouvidos