SEMPRE AQUI

Há um relógio antigo naquela parede, parado. Há um tempo que já não corre, passado.

Um tempo que adormeceu mas eu fiquei acordado, a vê-lo passar, esse tempo que acabou por se esgotar para alguém que o media pela posição daqueles ponteiros num espaço circular como o tempo que parece nunca acabar quando o medimos assim.

 

Há um retrato envelhecido naquela prateleira, imóvel. Há um sorriso que já não rasga um rosto, inesquecível. Um sorriso que perdura cristalizado e eu fiquei encantado, a vê-lo reflectir uma alegria tão pura que parece imortal, o espírito de alguém que afinal nunca está ausente pois decidiu, aquele anjo, estar sempre presente neste seu tempo sem fim.

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publicado por shark às 22:33 | linque da posta | sou todo ouvidos