A POSTA NO PALEIO DE COTA

Percebemos depressa, quando somos pais, o quanto é escassa a nossa intervenção naquilo em que os filhos se tornam à medida em que vão crescendo, o quanto boa parte do que tentamos transmitir-lhes se perde pelo caminho sinuoso das influências exteriores mais a massa de que são feitos (os traços de carácter que determinamos mas não podemos de todo seleccionar).
Claro que bastaria, no caso da maioria, olhar para nós mesmos e percebermos o fosso que nos separa dos nossos progenitores e das expectativas que nos impingiram, na forma de ser e de estar.
Mas não basta.

 

Acabamos sempre surpreendidos quando nos apercebemos que nenhuma espécie de ladainha ou de asa protectora fará assim tanta diferença nos destinos e nas opções dos filhos que fazemos e depois tentamos criar tão bem quanto nos é possível.
Em última análise será sempre a conjugação de factores que nos são alheios, a sorte, a personalidade, as influências externas, a sede de afirmação, que no final acabarão por determinar aquilo que acontecerá.
Resta-nos pouco mais do que o consolo de os percebermos pessoas de bem, capazes de tomarem conta de si próprios se (quando) lhes faltarmos, e de (com sorte) possuirmos algum crédito que possa influenciá-los da forma que entendemos melhor.

No entanto, a maior parte do percurso constitui um manancial de potenciais aflições. É a saúde, sobretudo em pequenos, é o sucesso escolar, são as eventuais más companhias (sim, as tais de que tanto nos avisavam os nossos pais e os daqueles que nos acompanhavam...) e por aí fora.


A preocupação é permanente e definitiva, é um estado de espírito inerente à condição.
Cada um/a com as suas condicionantes, de formação pessoal, de feitio, de emotividade, financeiras ou outras, tentamos não falhar nunca às nossas crias mesmo quando isso implica falharmos seja a quem for.
A nós próprios também.

 

É isso que é ser pai ou ser mãe. E eu, apesar de tudo, não consigo encontrar na minha existência um papel mais gratificante ou no qual me tenha sentido mais realizado e feliz.

publicado por shark às 10:55 | linque da posta | sou todo ouvidos