IBERISMO DE BALNEÁRIO

Estamos, para todos os efeitos (e eles fazem-se sentir), ainda mergulhados na ressaca de uma crise financeira global. E anda por aí uma pandemia que uns afirmam muito perigosa enquanto outros atribuem a jogo alto da indústria farmacêutica devidamente alimentado por um pânico mediático e artificial.

 

No nosso país ainda acrescentamos o facto de estarmos a ser governados por um Executivo minoritário, refém de uma oposição cujo sentido de responsabilidade (de Estado?) ficou bem vincado na Legislatura anterior.

E de que se fala por aí?

 

Ninguém adivinha?

 

Do Cristiano Ronaldo, o nosso novo menino de ouro que caiu nas garras dos usurpadores castelhanos.

Pois é. Vem aí o confronto com a Bósnia, essa potência do futebol mundial, e o Real Madrid não quer que o melhor futebolista do mundo jogue lesionado porque lhes está a custar um dinheirão e não o querem parado enquanto o resto da sua equipa milionária se enxovalha em goleadas perante equipas de escalões inferiores.

E o Carlos Queirós, cada vez mais scolarizado, insiste precisamente no contrário e o braço (ou o pé) de ferro predomina sobre rigorosamente tudo (e todos) quanto diga respeito aos dois confrontos decisivos para a qualificação para o Mundial da África do Sul.

Ou seja, ninguém fala do jogo, do adversário, da táctica. Só se fala da novela mexicana em que sempre acaba por se transformar o futebol.

 

No meio disto tudo, discretos, há um grupo de rapazes convocados para estarem presentes em campo no dia dos tais jogos decisivos. Os outros que jogam na selecção que parece a do Ronaldo mais dez mas nem por isso os factos confirmam tal percepção.

No centro da polémica está um protagonista que tem sido (quase sempre) uma enorme desilusão, provavelmente por os restantes não tolerarem a irrelevância a que os votam e deixarem a jogar sozinha a vedeta do pelotão.

Deles pouco se fala. Os outros. Os tais a quem compete acompanhar o astro-rei na sua glória. As nuvens que não o deixam brilhar porque são gente capaz de se melindrar com este plano secundário a que os votam, no sorvedouro das notícias que verdadeiramente interessam e que são as que referem os populares do liceu.

 

Depois estranham-se os maus resultados e as péssimas exibições. Estranha-se a falta de ânimo e de concentração.

 

E entretanto o puto que ninguém sabe se está mesmo manco anda alegadamente a treinar às escondidas e deve ter a cabeça menos em forma do que o corpo precioso de que os espanhóis (who else?) nos querem privar.

publicado por shark às 10:32 | linque da posta | sou todo ouvidos