SIM, MARCO, A GEYSE ARRUDA É MESMO UM EXEMPLO A REALÇAR

Em causa não está a maior ou menor percentagem do corpo que as pessoas mostram, mas algo de muito mais importante e que consiste em saber até onde as pessoas mandam umas nas outras bastando o peso de uma maioria para impor regras por muito que estas colidam com o simples bom senso ou mesmo com o conceito de progresso a que associamos qualquer tipo de evolução.

 

Podemos pegar seja pelo que for. Existe sempre algo que nos choca ou repugna, seja um beijo na boca trocado entre pessoas do mesmo sexo ou um estilo mais arrojado da indumentária por parte de quem aposta nessa forma de marcar a sua diferença. É essa diferença que surge sempre no horizonte como origem dos mais variados tipos de conflito, à escala mundial (como é claro na guerra entre uma visão islâmica específica e a sua inimiga ocidental) ou na sua dimensão reduzida, local.


Se uma minoria envereda por um caminho que viola os pressupostos que “toda a gente” considera adequados e reage de forma hostil à perda de liberdade implícita a qualquer tipo de boicote ou censura temos criadas as condições para exibições de força que matam aos bocadinhos aquilo que deveria ser sagrado para qualquer país ou religião: a liberdade de expressão, sobretudo no benefício que da diversidade sempre resultou.

Note-se que não quero com este discurso minimizar ou sequer apelar à tolerância para com actos terroristas, cobardes, de contestação seja do que for. Nem contam comigo para exprimir concordância para com algumas opções que colidem com a minha visão individual do mundo e com os valores que entendi abraçar.


Mas não está em causa o direito de opinar, mas sim o de qualquer pessoa poder exprimir a sua forma de estar no mundo, a sua escolha em matéria de felicidade, a sua verdade que não me impõe por se sentir no direito de não precisar de esconder essa opção. O mesmo direito que exijo para mim, no fundo, quando me exprimo de forma oposta...

A ditadura das maiorias, a que começa a fazer escola como forma de domesticar o pensamento rebelde ou a atitude susceptível de o alimentar, é uma ameaça tão grande ou ainda maior para o nosso modo de vida que aquelas que se transformaram hoje em dia num papão.
É a morte do pensamento livre, da escolha não condicionada, dos princípios basilares da Liberdade e da Democracia como a defendemos em teoria mas na prática o excesso de conservadorismo está a liquidar.


Há um lápis azul gigantesco a predominar no quotidiano das sociedades mais retrógradas, embora esse possua a “justificação” na tentativa desesperada de preservação de modelos que são contestados até pelos seus próprios cidadãos, como no das que se apelidam (arrogantes) de mais civilizadas.

Não é permitido a um homem usar o cabelo comprido ou abdicar da gravata em determinadas ocasiões, como não se tolera uma saia mais curta ou um decote arrojado a uma mulher em circunstâncias iguais. Pode-se fazer, mas não cai bem e implica a imediata reacção, a social-punição com que “toda a gente” tenta vergar os diferentes entre os seus iguais.


E esta é a base, o pretexto ignóbil, de todos os fenómenos de rejeição com os quais as diversas maiorias acabam por impor a sua razão. A vitória da mediocridade dos integrados sobre a originalidade dos desajustados que não pensam nem agem igual.

Em última análise, este instrumento opressivo não institucional serve para tudo aquilo para que o queiramos aplicar.

Nem que seja para vergar, para garantir a desistência e o silêncio de todos/as quantos queiram denunciar o quanto de errado se vislumbra por entre o verniz lascado das tais maiorias que combatem as suas frustrações partilhando-as à bruta com quem não aceite sequer validá-las por omissão. 

publicado por shark às 17:33 | linque da posta | sou todo ouvidos