A CÉU ABERTO

faixa luminosa

Foto: Shark

 

 


 

A céu aberto, de pé no meio de um deserto onde podia isolar tudo aquilo que precisava pensar. O silêncio necessário, ao longe um dromedário, em seu redor as cicatrizes do tempo e do calor, o clássico oásis como destino de uma viagem e a mente entorpecida sem distinguir a miragem de uma solução para a sua aflição.

 

De peito aberto, queimado pela luz, no meio de um deserto imenso sob o pesadelo de um calor intenso, ao longe uma pessoa em busca de outra coisa qualquer, indiferente, sem lhe importar se existe outra gente no seu caminho, à procura do seu próprio destino, afinal, na solidão apetecida naquele areal ressequido, o coração empedernido pela ausência de amor, alheio às cicatrizes no seu interior diluídas na passada por aquele troço que não é uma estrada e por isso acrescenta o risco de que se perca e comece a andar em círculos até a paciência se esgotar.

 

A luz no olhar, desperto, daquele homem sozinho no meio de um deserto onde o nada lhe apetecia pelo bem que lhe fazia repousar. E aquele parecia um lugar ideal para a função, baixar o nível de preocupação que o atormentava na cidade onde o vento não transportava o som de coisa alguma, como ali parecia acontecer.
A pele dos lábios a doer, sedenta da água vital, a humidade de um beijo essencial que lhe transmitisse tudo aquilo de que precisava para viver.

Um amor tão imenso como o horizonte daquele deserto onde caminhava a céu aberto orientado pela certeza de que ficar parado afastava-o da beleza de um sorriso que o aguardava, tão preciso, no final da viagem que a mente resumia numa mensagem que ele tentava decifrar no preciso momento em que o despertador começou a tocar.

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publicado por shark às 12:21 | linque da posta | sou todo ouvidos