NO CRAVO E NA FERRADURA

No período de uma semana, uma pessoa que até conseguiria explicar a si própria (e a mim) a sua deserção da lista de pessoas (clientes) que me ajudam a sustentar uma filha e afinal confirmou a sua insistência no serviço que presto e no gajo que sou (distinto nos vários domínios em que intervenho) e outra pessoa a quem não fiz mal algum mudou de seguradora sem me dar qualquer satisfação (e que jamais volte a trocar qualquer tipo de contacto comigo, please) acrescentaram a dias meus alguns argumentos em sentido contrário no que concerne à minha opinião acerca dos outros no seu todo. Ou talvez não.

 

É que nisto dos outros, para além da inexistência de certezas absolutas ou de garantias de qualquer espécie, persiste uma constante que confere alguma lógica às atitudes inexplicáveis com que nos confrontamos num quotidiano sempre tão influenciado “de fora”, queiramos ou não assumir essa dependência a quem é alheio (ou não) à nossa esfera mais ou menos directa de influência.
E essa constante é o cariz aleatório dos comportamentos, por paradoxal que possa soar.
Há um último conforto no espanto com que nos deparamos com atitudes de absoluta indiferença para com os pressupostos básicos da decência e da boa educação (algo que nasce e cresce com a pessoa) e esse consiste precisamente na constatação de que as coisas são mesmo assim e é com isso que podemos contar na esmagadora maioria dos casos.

 

No mesmo período em que estas duas pessoas se revelaram tão distantes nas opções, uma organização que represento há muitos anos e recheada de períodos com relativo sucesso entendeu rescindir por carta registada o vínculo que mantivemos ao longo do tempo.
Sem qualquer explicação plausível ou contacto directo no sentido de tentar recuperar os tempos melhores da ligação comercial. Apenas o boa noite e um queijo que denuncia a absoluta frieza que pauta as relações entre as pessoas/empresas nestes dias canalhas, sem ter em conta qualquer critério que não o dos números imediatos ou a simples apetência por exercer um poderzinho qualquer que tanto marca as atitudes da moda.
Neste paralelo entre a frieza e o silêncio rude de uma empresa e de uma pessoa encontro a explicação para os meus piores receios, tal como no primeiro exemplo que citei posso vislumbrar precisamente o oposto, a esperança de que exista quem consiga discernir as pessoas dos profissionais e as vinganças pessoais das atitudes mais correctas a tomar.

E essas passam sempre por medir as consequências dos nossos actos com vistas largas e por percebermos as regras elementares da convivência entre pessoas e mesmo entre estas e as organizações.

 

Porque no fundo, entre a falta de maneiras e a ausência de pruridos existe um elo de ligação tão óbvio como ambas representarem lacunas que espelham o que o mundo que nos rodeia tem de de menos bom para nos oferecer.

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publicado por shark às 15:34 | linque da posta | sou todo ouvidos