SÓ O MELHOR

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Sim, era disso que se tratava. Aquilo que exigia da vida para si e de si própria para oferecer ao mundo. O melhor. Ou então, nada.

Só o melhor, condição que impunha, quase dogma. Que defendia religiosamente. Na escolha dos amores como do vinho. No prazer carnal de uma refeição confeccionada com mestria. Só o melhor das carícias, que só os melhores conseguem levar ao extremo.

Era isso. O que considerava que lhe era devido e que devia. Cobrança que fazia, por existir neste túnel chamado vida, com uma só saída lá ao fundo. Crédito que dava, a quem com ela partilhava essa passagem. Por sorte ou azar.

Nada menos do que o melhor. O genuíno e exclusivo. Assim soubera que, no fundo do mar se escondia a mais pura pérola e que o aroma perfeito se extraía de uma flor rara, nascida uma vez por ano de entre o gelo árctico. Assim experimentara o sabor dos flocos de neve e a textura da pele de uma ave recém-nascida.

Assim chegara até ele. O melhor. Impossível de passar ao lado, de não reparar. Nada de margem para dúvidas, no remoinho das palavras com que se despia.
Assim descobrira a magia. Das pontas dos seus dedos a desbravá-la, do sopro suave sobre a humidade do seu corpo.

Sim, fora disso que se tratara. A inequívoca garantia de uma peça única, colheita irrepetível, lapidação depurada, viagem em primeira classe. O que esperara e obtivera. O que continuava a exigir. O que cultivaria com afinco. Nunca menos do que isso. O melhor.

Mar
publicado por shark às 13:12 | linque da posta