SIM, TIVE UM DIA DIFÍCIL...

nem mais

 

 

Considerando a minha vontade quase permanente de hostilizar quem me irrita com as suas merdinhas de medíocre e/ou de mal fodido/a, fico muito satisfeito com a minha consciência quando constato o meu apreciável nível de integração social.

No entanto, isso exige de mim um esforço titânico. Acabo cada dia com o pipo às voltas no cimo da tampa por saltar, com a garganta ferida por tanto engolir em seco e pelo efeito das palavras presas como gatos no interior de um saco.

Uma das poucas válvulas de escape que me valem para evitar repetir alguns episódios do passado que quase me valeram o degredo desta sociedade de caca que me vejo forçado a aturar é precisamente a blogosfera.

 

Aprendi a ser cordato, a forçar-me sensato perante as agressões do exterior para não inviabilizar a coexistência pacífica, embora tão distante quanto possível, com o meu semelhante (vagamente parecido, enfim...) por entender que não tenho vida para eremita nem paciência para cultivar o meu sustento.

Por outras palavras, baixei a crista, subordinando-me às múltiplas manifestações de cinismo, de hipocrisia, de baixeza, de cobardia, de estupidez e de mais uma data de coisas que só ignoramos quando não queremos ver ou temos a paz que só a pobreza de espírito pode garantir. Admito que nem sempre me reconheci imune ao contágio dessas pressões constantes, dessas agressões permanentes à minha lucidez e à capacidade de discernir os contornos de uma atitude razoável e inteligente dos que uma postura merdosa engloba.

 

Isso tem um preço, claro, na neura permanente, na irritação abafada, constante, que por vezes deixo aqui transparecer porque é mesmo para isso que um blogue pode servir, para além de me permitir entreter de borla qualquer pessoa que por acaso (ou não) venha parar a este trabalho que afinal não passa de uma panaceia para a minha revolta, para a rebeldia de que abdiquei em prol de uma vida que possa apelidar de normal.

E se refiro o pormenor da borla é precisamente porque nem sempre mantive a compostura perante algumas atoardas com que me mimavam no passado desta cena, numa lata do camandro por parte de quem se sente no direito de aproveitar o anonimato para transportar para esta realidade virtual a outra de que tento escapar por todos os meios, saturado com os aspectos que cito supra.

 

Agora já são raras essas críticas destrutivas, mais baseadas na rejeição do meu carácter impulsivo e com laivos de arrogância, reconheço, e menos na apreciação do que aqui publico porque me apetece e porque não me dá para ir berrar para o meio da rua como um maluquinho a tal falta de pachorra para com quem opta por infernizar as existências alheias em vez de colaborar com uma atitude porreira para todos usufruirmos de um mundo melhor.

De resto, meu ofício é um palco exímio para a constatação de tudo quanto afirmo, já que os ventos da vida ou o destino me arrastaram para a que provavelmente seria a opção mais absurda para alguém com o meu feitio. Mas vou-me safando, à conta do tal esforço de contenção que me desgasta, e até sou tido como um profissional capaz e respeitado nessa condição.

 

Isto tudo para vos dizer, em jeito de desabafo, que tenho dias em que me apetece fazer coisas como pegar num palerma qualquer que se atreva a falar mais alto do que eu num espaço onde pago a renda e espetar com ele no olho da rua, ou retorquir à bruta perante as embirrações dos que se empinam num ascendente, num poderzinho qualquer, para fazerem valer as suas pretensões mesquinhas, ou ainda pior. E nem sempre me fico pela apetência.

Por isso, neste santuário em que a blogosfera se tornou para mim, vou aos arames quando constato que algumas dessas criaturas bafientas, pequeninas e irritantes que me tentam forçar a úlcera ou mesmo o enfarte também frequentam esta comunidade e blogam no seu jeito peculiar que me obriga a calar aqui também a vontade de abardinar sem freio.

 

E pronto, era isto que eu precisava de vos dizer nesta altura.

publicado por shark às 18:18 | linque da posta | sou todo ouvidos