TRÊS DEDOS DE CONVERSA

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Aqui há uns anos assisti na televisão a um episódio d’A Quinta Dimensão (The Twilight Zone) no qual um cavalheiro abastado convencia um ganancioso a arriscar a perda de um dedo numa aposta. Se me recordo dos detalhes, estava em causa um isqueiro e a ideia era tentar acendê-lo um determinado número de vezes. Se alguma falhasse, com a mão do apostador presa ao tempo de uma mesa era certinho: chop!

Mas aquilo era ficção pura, apenas para retratar uma dimensão extrema (no caso, a quinta) das emoções e das fraquezas humanas. Era a brincar.

Eu também pensava que se tratava de uma brincadeira, um caso de que tive hoje conhecimento, mas não. É mesmo sério e só o segredo de justiça impede que já tenha tido mais ampla divulgação.
Um indivíduo de Viseu efectuou diversos seguros de acidentes pessoais noutras tantas companhias, com capitais pouco elevados para não chamar as atenções. Claro que nunca mencionou a cada uma dessas seguradoras que tinha subscrito contratos idênticos nas congéneres, embora tivesse sempre o cuidado de se certificar do âmbito de cobertura das apólices (que visam responder às consequências em caso de acidente de qualquer espécie, 24 horas por dia, garantindo uma indemnização fixa e de valor previamente definido ao lesado).

Bom, até aqui calculo que já vos tenha maçado com o assunto. Mas a parte sumarenta vem agora.
Algum tempo depois de efectuar esses “investimentos” o fulano deu entrada num hospital. Tinha acabado de amputar “por descuido” três dedos de uma mão. Provavelmente numa das serras eléctricas da serração de madeiras onde o “acidente” se verificou.
Só por acaso (pela falta de documentação original para todas as seguradoras a “arder”) foi descoberto o esquema.
Não sei se estão a ver a ideia. Um ser humano, um português comum, amputou-se para receber umas massas à conta das companhias de seguros.

A expressão “crise” ocorreu-me. Isto tá mau, o homenzinho viu-se aflito e num momento de desespero, zás. Mas não, o tipo premeditou a coisa. Antecipou em meses o momento de enfiar a mão vocês sabem onde para defraudar seguradoras e receber o que, posso garantir, não seria uma fortuna.
A expressão “ganância” surgiu a seguir.
É para mim um mistério este efeito pernicioso do dinheiro nas mentes das pessoas. Uma loucura, capaz de levar as pessoas a desfazerem-se a tiros de caçadeira, a traírem amigos e família, a venderem a alma ao diabo para pagarem o plasma mais as férias no Brasil.

E agora, em Portugal, já existe um caso documentado de alguém capaz de cortar partes do próprio corpo para enganar companhias de seguros e ganhar algum à conta.
Choca-me, este tipo de bizarria. Pelo que implica de desacerto das monas do pessoal, com o dinheiro (o excesso ou a falta) a constituir o mote para boa parte dos desequilíbrios que se manifestam desta forma maluca.

E por isso precisei de “conversar” um bocadinho acerca deste assunto tão macabro que chegou ao meu conhecimento ao longo do dia de trabalho.
Desculpem lá o desabafo.
publicado por shark às 19:00 | linque da posta