A POSTA NUMA BLOGOSFERA DE OUTRO CAMPEONATO

A propósito de um desabafo que encontrei no Bitaites, relativamente à atitude das empresas em Portugal quanto à blogosfera enquanto meio publicitário, veio-me à ideia uma notícia que li algures e que dava conta de que no Reino Unido a internet já ultrapassou a televisão em matéria de investimento publicitário.

É embaraçosa a diferença, é incompreensível o abismo entre as duas realidades em causa e se, no caso concreto da blogosfera, parte da explicação se encontra na proliferação de blogues da treta que fecham e (re)abrem, sem critério algum, sem brio por parte de quem os mantém, a talhada de leão cabe à falta de visão dos empresários portugueses e à sua incapacidade para perceberem os fenómenos que de alguma forma os ultrapassam por não terem a papinha feita ou uma receita comprovadamente ganhadora onde possam encostar-se.

 

Existem blogues e blogueiros cuja qualidade e empenho justificaria uma aposta séria por parte de quem nas empresas toma decisões de investimento publicitário. E citei o Marco precisamente porque o considero um exemplo nessa matéria, muitos degraus acima de mim mesmo em termos do que pode ilustrar uma opção cabal do blogueiro (que deveria ser) profissional.

Essa profissionalização passa, inevitavelmente, pela publicidade que um blogue possa atrair e considerando os meios ao alcance para controlar o retorno do investimento não vejo o que possa dissuadir essa aposta que não a mentalidade tacanha ou a preguiça mental.

Claro que nem todos os blogues constituem uma realidade fiável, tanto ao nível da qualidade dos conteúdos como da regularidade de publicação.

Mas espaços com vários anos de existência e mantidos a bom nível por quem dá a cara pelo seu trabalho conferem as mesmas garantias de qualquer outro meio. Talvez até maiores, se tivermos em conta a falta de fiabilidade de alguns estudos de mercado relativamente a meios alternativos.

 

Seja como for, não é difícil de distinguir um blogue a sério de uma paródia para adornar umbigos e já decorreu tempo suficiente para que essa análise possa ser reveladora e conclusiva. Por tudo isto lamento imenso que tanto talento e vontade sejam desperdiçados, na desistência mais ou menos inevitável de quem (levando isto a sério) rouba tempo ao trabalho, ou sono e/ou à família para se revelar capaz de fornecer conteúdos que prendam a atenção das pessoas.

Atenção essa que é, necessariamente, desviada dos meios tradicionais que cada vez mais não interessam à maioria e por isso reagem com a política do “se não podes vencê-los junta-te a eles” ou, pelo contrário, com o desdém típico dos intimidados.

publicado por shark às 14:13 | linque da posta | sou todo ouvidos