SIM, EU AMO A MINHA PÁTRIA E ISSO NÃO ME ENVERGONHA

Numa altura em que foram divulgados os resultados de um inquérito acerca da auto-estima levado a cabo em 33 países e no qual os portugueses figuram nos últimos quatro lugares, o décimo aniversário da morte de Amália Rodrigues leva-me a recordar o quanto nos divorciamos aos poucos do sentir português que a grande Senhora do Fado (a Unesco que não nos lixe quando chegar a hora de avaliar a candidatura a Património Cultural da Humanidade) representa.

 

Sou daqueles gajos que não reprimem lágrimas nos olhos quando ouvem a voz de Amália numa das suas interpretações dessa alma que sinto perder-se no meio de tantas influências parolas e de alguma vergonha por parte das autoridades e de alguns sectores da política e da sociedade portuguesa em cultivarem o conceito de Pátria sem medos nem complexos próprios de imbecis.

O nacionalismo só envergonha os que pretendem impor o indispensável amor ao seu país à custa de radicalismos violentos ou de isolamentos provincianos e nunca os que desprezam aberrações como o iberismo ou o dia das bruxas ou quaisquer desvios à essência do que entendemos como um sentir português e à nossa cultura e tradição.

 

Eu amo a minha Pátria e encontro na personalidade da Amália e nas suas canções o elo de ligação a essa realidade a que chamamos Portugal e que deveria ser defendida de uma forma inteligente e isenta de excessos salazarentos mas muito mais determinada do que aquela que nos conduz aos poucos para uma descaracterização intolerável que, em boa medida, até a uniformização imposta pela União Europeia em aspectos cruciais da nossa forma de estar fomenta. Acredito que um país pequeno pode ser enorme, como os Descobrimentos provaram, desde que líderes em condições consigam mobilizar um povo no sentido da busca dessa grandeza em vez de contribuírem com a sua actuação mesquinha para a perda da auto-estima e para a progressiva perda da identidade nacional que considero abominável.

 

Não, não me envergonho de admirar portugueses como o Infante D. Henrique, Afonso de Albuquerque ou Luiz Vaz de Camões ou de me sentir orgulhoso de episódios como a Batalha de Aljubarrota, pessoas e etapas da evolução da minha Nação que tantos séculos conseguiu resistir a invasões e agora sucumbe às agressões da porcaria do dinheiro, da globalização, da crescente desmobilização das pessoas no que concerne à defesa de tudo quanto nos define Portugal. Exijo uma defesa decente, intransigente, da História do meu país e da língua que nos une a países que deixamos afastar com uma atitude merdosa.

E não perdoo a todos quantos contribuem ou contribuíram para a perda do amor à Pátria que levou muitos dos nossos a verterem por ela o seu sangue e cujo sacrifício exige o respeito e a homenagem que só o orgulho nacional e a defesa do que é nosso podem honrar.

 

Amália Rodrigues será para sempre um dos meus ícones da Pátria que amo e na qual acredito. A minha auto-estima enquanto português nunca dependerá dos ranhosos que enxovalham Portugal com uma atitude de inferioridade perante seja com quem for, tanto quanto os que nos envergonham com o oposto para com quem, vindo de fora, escolhe este país para criar os seus filhos que, afinal, serão tão bons portugueses quanto formos capazes de os ensinar.

publicado por shark às 11:50 | linque da posta