SABER COMO SE FAZ

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De lágrimas nos olhos escrevo estas palavras que me abrem ao mundo na ânsia de transmitir a felicidade que o amor me traz. Lamechas, talvez. Mas trago em mim este frenesim de gritar o melhor que a vida me oferece e o quanto me apetece incutir em cada um de nós a vontade e a fé de encontrar o amor e alguém que o protagonize no nosso guião.
Não são lágrimas de dor, as que me ajudam a libertar a pressão que este sentimento provoca. É a música que toca em fundo, como uma banda sonora das emoções que sonho interpretar um dia na perfeição, num golpe de génio que me transforme num homem capaz de imortalizar com palavras o amor que gosto de tratar por tu.
É a música, Maria Callas a cantar, que me invoca a intensidade que ela tão bem conheceu. E é a minha alegria por me saber conhecedor, por entender o amor na sua essência.

Na minha, está sempre presente essa necessidade premente de abraçar a paixão como uma tábua de salvação para a minha forma de existir. Vivo para sentir e recuso abdicar da melhor oferta de entre as que a vida me consegue proporcionar. Viver para amar, pulverizar o coração com o combustível da mais forte aceleração que um ser humano pode conhecer. A velocidade da luz na intensidade de um olhar que nos disparam à queima-roupa, na faísca invisível que nasce nos lábios que se aproximam ao ponto de ebulição. A alta tensão numa carícia especial, empenhada, muito doce e ao mesmo tempo sensual.
Coisas difíceis de explicar, que nos entopem a fala como uma enxurrada de palavras a mais, as necessárias para o muito que há para dizer.

É isso que tento fazer, quando me sento diante de um monitor com a esperança de vos oferecer o melhor de que sou capaz nesta função. Desenhar a minha emoção nesta tela e assim partilhá-la com quem me lê, imagens reais em directo do meu interior, este espaço transformado no reality show daquilo que sou e daquilo que valho na arte da comunicação de mim. E de quem comigo partilha esta breve travessia pelo mar das interrogações, pela sucessão de acasos que nos empurra pela vida fora ao sabor de paradoxos e de coisas absurdas que raramente fazem sentido e, quantas vezes, insistimos em vão explicar.

Não sinto vontade de vos oferecer explicações. Nem disponho da sabedoria que me permitiria iludir-nos nessa premissa. As coisas que sei, o pouco que aprendi, são artes da vida que a experiência ensina e a sensibilidade permite interpretar.
A minha forma de dar, neste plano virtual, faz-se das emoções que tento escrever. As minhas e as das outras pessoas, as únicas responsáveis por tudo quanto sou capaz de sentir. A minha natureza são todos vocês, na proporção das relações que se estabelecem e do quanto somos capazes de acrescentar com as palavras que trocamos e daquilo que damos, mesmo quando nos dá para desatinar.

Por isso transpiro as emoções que me assolam e abro neste suporte as minhas portas, de par em par, para quem quiser entrar e fazer a diferença. Só assim se justifica esta insistência em comunicar o homem que sou nas palavras que vos dou, a minha ferramenta para dar largas ao trovador que seria num passado de cavalaria onde teria gostado de alternar o instinto guerreiro, nos campos de batalha, pelas causas mais nobres, com o apelo irresistível de contar o amor que gosto de viver em cada momento dos meus dias, nas camas e nos corações das mulheres que algures apaixonei.
As pessoas que amei, as pessoas que amo e as pessoas que exijo amar no futuro.

Tudo o resto são pormenores que às vezes me escapam, soam supérfluos na minha voracidade de glutão das sensações exacerbadas, das vidas agitadas pela minha intervenção e que constituem a minha razão de existir. E eu existo para amar a vida através de quem me aceita assim, tal e qual. Sou um dependente do amor que me dão e da paixão que aceitam em troca.
Sou um homem condicionado pelas existências alheias, exposto nessa fraqueza que me faz jogar à defesa por detrás das minhas ameias de papelão.
Contudo, sou um homem libertado pela fúria de um soldado que luta pelo amor descrito nas palavras de combate que vos dou.

Aquilo que sou. Apaixonado, destravado, o principal inimigo da minha lucidez.
Naquilo que dou. Emocionado, irreflectido. O amigo mais próximo da minha avidez, a alma penada que é o anjo da guarda que me guia no caminho que percorro sem ver, incapaz de abrandar no meio da luz que me cega.
A minha sofreguidão pelo amor, sob todas as formas, é a principal razão da cegueira. E esta é a minha maneira de partilhar o que sigo como uma visão, a rota do coração numa vida pautada pela firme certeza de que os ventos que me sopram são forças que me arrastam para os (a)braços (e)ternos de que a felicidade se faz.
publicado por shark às 13:16 | linque da posta