A POSTA NA CAUSA PERDIDA DA ALIANÇA ANTI-BLOGUES

No início era o desdém da Imprensa, a ausência de linques ou mesmo de citação dos blogues como fonte de informação para os jornalistas fracotes e sem ideias próprias para atacarem uma peça.

Depois a Imprensa percebeu que não podia esconder por mais tempo a blogosfera no armário e começou uma espécie de namoro que o Público Online consubstanciou com a sua fórmula assente no Twingle, com o Sol a abrir a sua própria plataforma. Publicações como o Destak abriram os seus blogues para poderem entrar na onda e pareciam estar a criar-se as condições para uma coexistência pacífica entre os meios de comunicação, nomeadamente por via de uma clara definição de algumas regras elementares que o senso comum define sem custo.

 

Mas isso não impediu o surgimento das vozes discordantes e mesmo insultuosas quanto a tudo o que aconteça numa base virtual. Palermas como Miguel Sousa Tavares e Moita Flores fizeram até questão de esboçarem os seus estereótipos acerca de quem faz acontecer a realidade da blogosfera e constituíram-se opositores declarados dessa forma de comunicar entre as pessoas. E agora entrou em cena o grande democrata e defensor da liberdade de expressão, um prémio Nobel , escritor e comunista, José Saramago (ele próprio blogueiro) afirmando que se escreve mal nos blogues (imitando Pacheco Pereira, o tal da percentagem de lixo).

Ou seja, multiplicam-se as vozes de figurões que não conseguem reprimir as suas aversões a algo que ninguém percebe muito bem porque os incomoda.

 

Na blogosfera publicamos o que entendemos, quando queremos e sem outras restrições que não a que o bom senso nos deve impor. E fazêmo-lo de forma gratuita, acessível a quem disponha de acesso à internet. E nestas duas frases consigo encontrar motivos claros para justificar a aversão dos figurões, podendo esta justificar-se pelo incómodo da livre expressão de opiniões contrárias (e por vezes mais bem sustentadas) às vedetas que citei e a outras ou, em alternativa, podemos estar perante um fenómeno claro de rejeição da concorrência.

É que existem de facto pessoas com muito talento a publicarem de borla aquilo que os figurões só fazem a pagantes noutras plataformas, a blogosfera é responsável pela perda de audiência, de mercado, para quem ganha a vida com base na sua carola e na expressão do que ela é capaz.

 

Pode soar mal intencionada, esta minha interpretação. Mas se tivermos em conta a leviandade e a relativa agressividade dos figurões que citei é difícil encontrar outros pretextos para os levar a direccionar os seus desconfortos para com aquilo que, para todos os efeitos, não passa de uma forma livre de expressão (não condicionada pelos vários poderes que atormentam quem vive da sua escrita, por exemplo).

Custa-me a acreditar que estas posições manifestadas por quem tem um mundo para pensar e resolve embicar para o virtual (o Twitter e o Facebook também mereceram mimos do MST) para as suas embirrações tenham por detrás apenas reacções a episódios como o do boato de plágio no Equador do MST que nasceu na blogosfera.

 

E essa minha convicção fundamenta-se no facto de alguns destes oponentes não se cingirem aos males que as suas mentes brilhantes conseguem identificar na blogosfera e estenderem-se ao perfil de quem a produz, num ataque pessoal generalizado que nada tem a ver com outra realidade que não a de uma mentalidade tacanha.

 

Ou com a reacção espontânea de qualquer velho do restelo ao papão da mudança.

publicado por shark às 12:35 | linque da posta | sou todo ouvidos