A POSTA NA SENHORA SEM PUNHOS II

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Podia ser a vizinha do terceiro, uma prima mais velha ou a professora de inglês. Quando à descoberta do corpo se associa a correria hormonal, marcha tudo quanto mexe. Na minha fantasia comi dois terços das vizinhas, quatro quintos das minhas colegas de turma e todas as fêmeas jeitosas que o destino colocava ao alcance do meu olhar. Eram os anos loucos da irmã da canhota e eu, adolescente apressado, devorava Henry Miller, a Gina e a literatura institucional que Abril permitiu. Isso mais as imagens descontextualizadas de todas as posições vagamente eróticas que alguma mulher assumia no meu raio de acção.

Foram dias castiços, clandestinos, quando buscava com ansiedade a melhor oportunidade para "esgalhar o pessegueiro". Observava, fantasiava e depois era só encontrar um poiso discreto para experimentar as delícias do amor a sós.
Valia tudo, nessa altura. O que se fazia e com quem, na carola de um puto sôfrego da sua estreia no mundo do sexo a dois, pouco interessava. Antes avaliava qual a ideia que mais depressa me despachasse a situação, para evitar o embaraço que um flagra em tais propósitos poderia provocar.
Nem aos melhores amigos confessava essa prática solitária, esse treino intensivo para a sexualidade que entretanto consolidei. As mulheres que amei, ao longo desse percurso de autodidacta...

A masturbação, assumo-o hoje sem hesitar, foi um estágio decisivo para o amante em que me tornei. Nos meus devaneios e ilusões consolidei a maior parte daquilo que hoje exibo na cama. As preferências e os limites, as competências e os apetites. Aprendi, na minha escola sem colegas, a controlar o momento de me vir, uma vantagem competitiva num mercado adolescente pautado por uma maioria de ejaculadores precoces que frustravam as miúdas. Percebi-o pela literatura e confirmaria depois. E revi-me vezes sem conta a aplicar teorias que desenvolvi no recato dos lençóis e nos palcos secretos da imaginação. Mais tarde resultaram nas diferenças que entendi destacar, as habilidades peculiares, o jeito pessoal de lidar com corpos partilhados com o meu.
Nada que não esteja ao alcance de qualquer comum mortal. Entrega altruísta com esperança justificada numa generosa retribuição. Isso mais a tesão, a meias.

Podia ficar tuberculoso, diziam-me, se insistisse em demasia nessa abordagem. Falavam-me do amigo do tio do vizinho que acabara os seus dias num sanatório, à conta do excesso de entusiasmo.
Mas eu entendi arriscar. Também fumava e assim até arriscava um cancro do pulmão.
“Aquilo” dava mais gozo e eu sentia que algum dia me iria servir para alguma coisa. E achava que nos sanatórios só proíbem o tabaco…

E porque me deu práqui?

Porque isto da blogosfera é mesmo disso que se faz. Actos solitários de prazer. Com terceiros, estranhos até, a espreitarem às escondidas pelo buraquinho da fechadura enquanto a gente grita.

Ai.
publicado por shark às 00:15 | linque da posta | sou todo ouvidos