BLOGARICES DE FIM-DE-SEMANA

Ouço e leio com frequência, mesmo da parte de quem bloga, uma frase que de tão repetida já merece o estatuto de cliché: nos blogues as pessoas transmitem de si a imagem que quiserem e essa nunca corresponde à real.

Deu-me para matutar, um exercício perigoso para mentes fracas e por isso raro em mim, acerca da verdade contida nessas palavras que rotulam a nossa maneira de estar neste ambiente virtual. Até porque me faz alguma confusão a ideia de poder encaixar-me nessa definição tão pouco simpática do que fazemos e mesmo do que somos quando fala o nick em vez da pessoa, logo eu que me pinto tão sincero e frontal.

 

Bom, eu acho que ninguém terá o arrojo de se afirmar absolutamente sincero, seja a respeito de si próprio seja relativamente aos outros. Se assim fosse seria o caos, pelo menos até a malta se habituar a levar nas trombas com algumas verdades duras que todos acabamos por justificar.

Ou seja, sempre que alguém alegadamente se desnuda por completo acaba por deixar ficar as cuecas vestidas. Seja pelo pudor, pelo receio das repercussões, pelo afecto a quem possa ser afectado/a pelo que se diz, seja pela cobardia de nos assumirmos tal e qual (os outros podem transformar-se em hienas quando nos conhecem as debilidades dos calcanhares), seja pela simples vontade de vestirmos uma pele mais confortável do que aquela que trajamos às claras.

A sinceridade total é uma utopia e pode sair cara a quem a arrisque. Cair do pedestal é inevitável e hostilizar os mais próximos com menor poder de encaixe é garantido.

 

Por isso até acredito que prolifera muita tanga pela blogosfera e tenho mesmo alguns exemplos concretos de como por detrás das falinhas mansas pode estar um enorme coirão, ou como muita farronca por escrito apenas oculta a falta de substrato real.

Ainda assim, soa-me injusta a falsa noção de que tudo isto é fado e andamos sistematicamente a contar histórias sem fundo de verdade. Não é bem assim e qualquer pessoa que acompanhe o blogue de alguém que conheça de perto acaba por encontrar muito do que define esse/a autor/a nas entrelinhas do que posta.

É o caso do vosso amigo tubarão, que necessariamente reprime algumas verdades e algumas realidades incómodas para si e para os outros mas de vez em quando até baixa um nadinha dos boxers e mostra o cu ou ainda mais.

Sim, também é um facto que dizemos neste meio muita coisa que não diríamos cara a cara por qualquer das razões que aponto mais acima.

 

Isto leva-me a concluir que se existe um fundo de verdade no tal rótulo de tretas, não pode ser descartado o facto de um blogue dizer muito de quem o constrói.

E só não vê isso quem, mesmo blogando, se refugia invariavelmente na mentira e na omissão e não se permite acreditar que existe quem não seja assim.

Ou quem está fora e não arrisca a hipótese de os outros de vez em quando também terem lenha sua para rachar.

publicado por shark às 22:13 | linque da posta | sou todo ouvidos