PARA SEMPRE (E MAIS ALÉM?)

Existem aqueles que afirmam preferir uma morte digna, como se a morte (bem feitas as contas) não constituísse uma indignidade seja para quem for e aconteça como acontecer, sobretudo para os que cá ficam a chorá-la.

No amor também há quem confunda final digno com final feliz, mas tal como defendo para a vida entendo que não existe dignidade no fim de um amor, mesmo na morte de um ou de ambos os amantes, precisamente pelo motivo que aponto acima...

 

Claro que somos todos vítimas da tentação de adornar o fim de uma relação amorosa com todo o tipo de unguentos que a tornem mais suportável, seja qual for o motivo dessa interrupção no que, por hábito ou simples amor à utopia, tendemos a cultivar como perfeito se eterno.

Contudo, o sabor amargo sobrepõe-se a todas as panaceias que o tal fim digno possa facultar a quem precisa seguir em frente e não pode ficar a remoer a perda que, se aconteceu, se calhar nem o foi.

E na amizade o critério é igual.

 

Aceito a definição de que um amor pode ser bonito dure quanto durar. É indesmentível tal pressuposto. Mas é igualmente verdade, nua e crua, que quando acaba entristece e sente-se como uma frustração, uma desilusão, uma perda.

E eu não vejo onde está a dignidade nessas emoções tão avessas ao conceito do amor como o entendo, donde concluo que não existe um final feliz para qualquer história de amor.

 

Por isso mesmo, qualquer amor deve ser feliz é enquanto dura. No fim, quando este se verifica, a felicidade possível nunca passa de um doce engano para a amargura da saudade ou de qualquer das tais emoções negativas que cito mais acima.

publicado por shark às 16:11 | linque da posta | sou todo ouvidos