E DO MAU FEITIO DO TUBARÃO, TAMOS ESQUECIDOS?

Nas minhas cada vez mais curtas incursões pelo resto da blogosfera constato que renasce a velha tradição do "empurrãozinho" aos blogues com travo intelectual, nomeadamente os recém ressuscitados, por parte dos espaços da sua igualha.

Nada me move contra os blogues que fazem vida da dissecação exaustiva daquilo que outros pensaram, disseram ou fizeram, ainda que o único propósito seja (em muitos casos) a colagem a determinado estatuto que num mundo virtual onde a antiguidade é um posto muito relativo e de pouco vale e as aparências nem sempre iludem só cria ilusões. Contudo, comparo os linques e descubro sempre os mesmos. Como se não existisse outra forma de blogar digna de ser promovida que não a "séria" (política, "literária" e/ou qualquer outra que cheire a inteligência superior) e de preferência a que seja protagonizada pelas figuras do costume.

 

Tresanda a bafio nessa blogosfera, convenhamos. Figuras públicas de segundo plano mais uma legião de aspirantes atropelam-se na promoção recíproca que não garante visitas (os contadores são implacáveis e provam que nem se visitam uns aos outros, os parceiros) mas sempre vai dando um ar de popularidade que disfarça a falta de talento para a escrita de uns e a falta de jeito para comunicar de outros, por muito que os recomendem por analogia ou associação de ideias.

Raramente encontro alguém que me prenda a atenção com aquilo que tem para dizer acerca de um pensador ou de um artista qualquer que estejam a fazer tijolo há séculos. Não porque esteja desinteressado da obra (e sobretudo da vida que a influenciou) desses criadores, mas porque na blogosfera entendo que todos devemos esforçar-nos por assumir esse papel, o da criação, e nunca nos confinarmos ao debitar de umas larachas cuidadosamente filtradas pelo intelecto suprasumo que acreditamos distinguir-nos.

publicado por shark às 15:00 | linque da posta | sou todo ouvidos