A POSTA NAS OBRAS FEITAS

Uma das formas mais rentáveis de adquirir uma casa era comprando-a na planta. Ou seja, a pessoa comprava o seu apartamento antes de a obra estar concluída e o construtor, grato pela antecipação do pilim, vendia a um preço que garantia uma mais-valia choruda.

Mas isso era no tempo das vacas gordas.

 

Agora, o cenário de crise está talhado para transformar a compra de sonho num pesadelo impossível de vender. Imaginem esta hipótese: vocês até são pessoas crédulas e/ou desatentas e adiantam digamos 30% do valor da casa magnífica (no papel) que qualquer vendedor imobiliário de craveira razoável mais um tipo jeitoso a desenhar por computador consegue convencer-vos a comprar.

Entretanto vendem a vossa casa, dispostos a morarem numa casa alugada durante um ano ou dois à espera que a outra esteja acabada.

E é aqui que a coisa complica. Se o construtor estiver com a corda ao pescoço e falhar com os pagamentos aos subempreiteiros podem acontecer três coisas: estes últimos começam a abandalhar, trocando os materiais excelentes do andar-modelo por materiais mais baratos, de recurso; pior ainda, suspendem o trabalho (e a obra estagna); a melhor hipótese, tudo corre bem e a obra é concluída.

Mas e se entretanto o construtor vai à falência? O prazo para a reclamação de eventuais defeitos de construção passa a zero (e se vier a verificar-se a primeiras das três hipóteses que enumerei...).

 

Ou seja, a compra pela planta (que a crise no imobiliário tornou irrelevante do ponto de vista financeiro) passou a ser um risco tão desmedido que até a banca hesita em conceder empréstimos para este tipo de negócio, mesmo quando a própria obra é financiada pela instituição.

E existem cada vez mais portugueses, consta que sobretudo na zona do Algarve, "agarrados" com dinheiro enterrado nestes negócios da china (da loja do chinês), com as suas casas vendidas e com as adquiridas por construir e com os construtores a desaparecerem de cena por artes de pura magia.

 

Eu sei que este tema é uma seca para uma posta, mas só agora tomei conhecimento desta verdade que só as crises expõem e achei que valia a pena tentar evitar que alguém se deixe cair neste tipo de situação por desconhecimento de causa.

Confesso que ainda não tentei verificar em que medida a legislação protege os audazes apanhados num caldo destes.

 

Mas a sorte é que me parece não ser uma boa aposta nesta altura...

publicado por shark às 16:07 | linque da posta | sou todo ouvidos