ESPERANÇA DEVIDA

Percorreu sozinho as ruas naquela madrugada quente de Verão.

Cabeça baixa para se concentrar no chão onde tentava a custo manter os pés. Sem vontade de trocar um olhar com alguma sombra que fosse a passar na mesma penumbra que o engolia por dentro nos recantos do pensamento que o arrastara para ali.

Nem sabia onde estava quando o sol anunciou a sua chegada com tímidas pinceladas de luz no horizonte que não via porque tudo quanto temia ganhava corpo em cada esquina que dobrava no caminho que o levava a sítio nenhum.

 

Era apenas mais um, perdido no labirinto interior onde as ruas sem saída pareciam desembocar em abismos mais fundos, mais negros, do que a noite sem lua que o astro rei se preparava para iluminar. 

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publicado por shark às 01:44 | linque da posta