PORREIROS, SIM. MAS NUNCA INDEFESOS.

Preferi sempre, desde miúdo, optar pelo lado daquilo que me ensinaram (ou aprendi) a entender por Bem. Ou seja, quando tive que fazer as minhas escolhas decidi sempre em abono do que me soava mais decente, mais correcto, mais próximo do que o senso comum define como o lado bom de cada um de nós a nível individual e que se reflecte na realidade colectiva que formamos.

E por isso hoje, quando ao passar por um túnel a não mais de cem metros da Esquadra da PSP de Sacavém me cruzei com o que me parecia um casal desavindo e com violência prestes a eclodir tentei intervir e como resultado disso fiquei sem o meu telemóvel.

 

Sim, fui assaltado com base num expediente muito simples e que consiste em aproveitar o instinto de quem se sente compelido a ajudar os outros. No meio da confusão, a jovem potencialmente "agredida" pirou-se enquanto o fulano me entretia com gestos hostis e depois bastou um sopapo no telemóvel que levava ao ouvido para este aterrar no chão, no rumo que o tipo escolheu para com ele fugir. Ainda corri atrás, mas dificilmente conseguiria acompanhar o passo de pessoas com menos vinte anos de idade.

 

Mais do que o rancor natural que se sente em relação a este tipo de gente sinto uma tristeza imensa por perceber que o Mal tem reunidas todas as condições para prevalecer e no fundo vencer a luta com o seu oposto. É que o Mal contagia. Como? Basta que se faça sentir sobre pessoas sem capacidade para reagir de outra forma que não evitarem acudir às pessoas em aflição para se pouparem ao que hoje partilho convosco aqui. À sensação de impotência, por exemplo, pois bastaria uma arma nas mãos da dupla de artistas para eu poder ter perdido muito mais do que um telemóvel e respectivo conteúdo.

Sinto-me acima de tudo frustrado por apesar de todo este tamanho e capacidade de luta física ter percebido que em determinadas circunstâncias fico à mercê do tipo e do calibre de bandalho que me escolha como alvo da sua forma fácil de ganhar a vida.

 

Sinto-me acima de tudo com maior determinação do que nunca em preparar-me com afinco para equilibrar a parada quando (e é quase certo, neste país de merda em que ninguém teme a autoridade e muito menos os tribunais) voltar a deparar-me com uma situação similar. Sim, nesse aspecto já perdi uma parte da "guerra" e para poder continuar a ceder ao apelo das aflições alheias vou tratar de investir na arte marcial da minha predilecção até atingir um ponto de perfeição que me permita combater o Mal com as mesmas armas.

 

Sem compaixão e com a violência necessária para que os que optam por tal caminho comecem a aprender eles próprios a lição que hoje me ensinaram.

 

 

publicado por shark às 14:02 | linque da posta | sou todo ouvidos