REGISTO (repost do Espelho)




destas minhas últimas semanas, um conjunto de fragmentos. Pedaços de momentos que fui vivendo com paixão, um fragmento feito de olhos, outro de palavras. Frases soltas, um sorriso, um gesto que calou mais fundo num cadinho de emoções a borbulhar.
O denominador comum é o Mar.
O Mar no nome e nos olhos, na cor do céu limpo que cobre os meus dias. O Mar como companhia num almoço tranquilo, com aromas de peixe e ervas aromáticas. O Mar como horizonte, num entardecer feito de espuma. O som do Mar como uma cantiga de embalar, sono e sonhos.

São peças de diferentes tamanhos e formas que coso umas às outras, como numa manta de retalhos e que, depois de dado o último ponto e de, com os dentes, cortar a linha e olhar a obra terminada, verifico que compõem um pedaço da minha História como pessoa.

Cada fragmento tem o seu valor, um peso próprio, um papel insubstituível e único. Uns mais importantes que outros, sem dúvida, mas todos parte de um todo, que tem sentido apenas assim e não de outra forma. Pois que, se de outra forma fosse, estaríamos agora a tratar de outra pessoa e não de mim.

E esta curva do caminho é tranquila, feita de consciências adormecidas a despertar, de certezas, do reencontro com traços de carácter que sempre lá estiveram mas não se empunhavam como bandeira. Por contigências várias.

Por vezes, é preciso sermos vistos pelos olhos dos outros. Que a força de outro alguém seja a alavanca que suporta o peso do nosso reerguer.
Por vezes, só se encontra o nosso destino com mapas, que nos ajudam a descobrir onde foi que ficámos perdidos em tempos idos, que nos são desenhados com lápis de carinho e respeito. Em que as coordenadas se definem por acordo mútuo, depois de muito andar, por sobre montes e vales para ver de que lado fica o Norte.
O nosso Norte, aquele que é determinado pelo que queremos ser enquanto pessoa, por valores inquestionáveis e que juramos nunca violar, pela distinção entre as coisas que amamos e as que detestamos.
O nosso Norte, que pode não ser o mesmo que é determinado pela Estrela Polar. Que não é, certamente, o mesmo do parceiro do lado.

Sei para que lado fica o meu Norte. A meio caminho entre o Sul em que me encontro e o Norte verdadeiro, o das coordenadas geográficas.

E, qual ave migratória, aponto para lá, de cada vez que me apetece fugir do Inverno para ir ao encontro do Sol.

Mar
publicado por shark às 15:40 | linque da posta | sou todo ouvidos