SIGO AS ESTRELAS NO CÉU (2)

O som das gaivotas no cais, para onde aponta a ré neste início de rota ao longo do qual reunimos a frota de experiências e de recordações.

Vela içada, uma vela enfunada pela brisa de suspiros que se dão quando ao leme se encontra o coração e o cesto da gávea viaja vazio pois a bordo deste navio a terra à vista será aquela que o destino oferecer.

Um barco prestes a zarpar, a proa apontada para onde o futuro poderá acontecer, como um cavalo de corrida à espera do sinal de partida para voltar a correr.

 

Navegar à bolina se necessário, contra ventos e marés. Sem terra debaixo dos pés, arriscando o naufrágio. Enfrentar o sufrágio que a vida nos impõe quando nos cruzamos com alguém no mesmo oceano em busca de um destino ou apenas coincidente na navegação.

Aquela perturbadora sensação do medo ao desconhecido, as borrascas que tenhamos vivido como um gigante adamastor no horizonte das preocupações reflectido no mar das emoções que insistimos enfrentar pela coragem ou pelo desespero. Ou apenas porque a viagem nos levou a um ponto certeiro, talvez mesmo um tesouro no final do arco-íris que entendemos perseguir.

 

A pressa que temos de partir a cada dia que começa, sem nada que nos impeça de usufruir de tudo aquilo que muitas vezes o caminho só oferece uma vez. Conquistar quem a merece, porque arriscou, a terra prometida que se sonhou ao longo da vida ou apenas descobrimos quando há muito navegamos sem outro objectivo ou outra necessidade do que procurar a felicidade, talvez numa ilha deserta.

A resposta que sentimos como certa sempre que questionamos a rota traçada, no silêncio da madrugada que nos deixa a sós.

 

A memória dos nossos avós ousados que por mares nunca dantes navegados divulgaram o nosso valor.

E agora queremos descobrir o amor, desvendar-lhe os segredos por combatermos os nossos medos sem amarras artificiais.

Ouvimos o som das gaivotas no cais e recordamos um porto seguro que sabemos existir e acreditamos valer a pena partir ao seu encontro, guiados pelas estrelas (que somos feitos dos seus pós).

 

A bordo de caravelas imaginárias ou embarcados noutros cascos.

De nós.

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publicado por shark às 20:56 | linque da posta | sou todo ouvidos