A POSTA QUE O ZÉ NEM DEU CONTA...

aberração da gama 

Foto: Shark

 

Como qualquer cidadão, sou bombardeado a toda a hora com os escândalos mediáticos que nos vão elucidando acerca do regabofe instalado nos negócios imobiliários por todo o país.

Cheira a esturro que tresanda, mesmo que os poucos levados à Justiça acabem por sair quase sempre impunes, perdão, absolvidos dos crimes que nos noticiários parecem tão descarados que quase sonhamos com a mudança deste estado de coisas por via de algum caso exemplar.

Esta sucessão de maus exemplos, de suspeitas nunca confirmadas, de silêncios comprometedores, de uma imunidade garantida pela cumplicidade que qualquer teia bem urdida permite perdurar, vai aos poucos fazendo baixar os braços daqueles a quem compete combater estas vergonhas e entrega-se assim a gestão de um país ao conluio de medíocres e de sabotadores oportunistas, sem luta.

 

O resultado prático deste laisser faire é o que está à vista, um pouco por toda a Nação que a seita crescente (sim, que estes fenómenos tendem a alastrar por via das sinergias de grupo) de corruptos e de tachistas que se instalam sem pudor nos seus poleiros com o único propósito de aumentarem o seu poder político e/ou financeiro à custa de todos nós.

 

Tudo isto a propósito da aberração que acima ilustro e que, garanto-vos, entretanto piorou na proporção do crescimento em altura do mamarracho que alguém pensou, alguém aprovou e, diabos me carreguem, alguém terá pago a peso de ouro para silenciar quem pudesse opor-se a tal ideia estapafúrdia.

Em causa está um dos mais recentes ex-libris da capital, a Torre Vasco da Gama, que agora foi literalmente escondida por detrás de um edifício que já atinge praticamente o topo da estrutura mais representativa da Expo 98 e dos benefícios que dela resultaram para esta zona da cidade.

 

Mete dó, olhar para a torre naqueles propósitos e recordar o alarido que o CCB conseguiu provocar tempos atrás. Deste atentado irreversível contra a fisionomia de Lisboa ainda não dei conta de qualquer voz (dis)sonante e o prédio continua a crescer (mesmo fora de horas) e a tapar por completo aquele símbolo alfacinha da vista de quem o admirava a partir do Tejo.

E garanto-vos que visto do lado oposto não fica melhor, completamente sem nexo nas traseiras do mamarracho, aniquilada na sua única função, poupada à demolição apenas para servir de serradura eterna para os olhares de quem dê conta sequer daquela coisa ali pespegada por detrás do que não hesito em afirmar um excelente negócio para todos quantos sejam coniventes com tal insulto ao bom gosto e à inteligência de cada lisboeta que deixou acontecer tal coisa diante do seu nariz.

 

Mete dó, observar a degradação deste país assim exposta como uma f(r)actura de todas as vergonhas que permitimos sem um esboço de contestação. Parece que assumimos colectivamente como inevitável este tipo de situação com uma legitimidade capaz de suscitar dúvidas à mais bem intencionada pessoa.

 
Não é o meu caso. E tal como jamais perdoarei a Santana Lopes a perda da Feira Popular de Lisboa, António Costa poderá contar com o meu desdém no balanço da sua passagem pelo poder que mais força teria para proibir um nojo assim.

publicado por shark às 12:05 | linque da posta | sou todo ouvidos