A POSTA QUE SEI DO QUE TE FALO

Sim, dói. Dói que não sejas perfeito como te desejarias, tão perfeito que agradarias a todas as pessoas mas sobretudo às que verdadeiramente gostarias de impressionar.

Sim, perturba. O efeito devastador da constatação da ausência da perfeição que te explode nos braços quando carregas expectativas ao colo como bebés, aquilo que és quando estendes esse teu culto impossível, disparatado, para todo e qualquer lado onde ainda exista alguém com vontade de te abraçar. Como se quisesses contagiar os outros com essa doença infecciosa que te atormenta ao ponto de sentires pena de ti próprio, essa gangrena que te turva o discernimento e pode provocar a qualquer momento outro passo desajeitado, outra triste caricatura daquilo que te ousas sonhar.

 

Não, não existe forma de contornar as consequências dessas múltiplas dependências que constróis em torno da ambição de personificares a perfeição postiça que te mascara de imbecil. Quando te expões ao absurdo, desnudado pela desorientação, atordoado pela emoção excessiva que te trai as boas intenções, tão perfeitas, e te convertes aos poucos num homem menor, aí percebes a dimensão da asneira e lembras que não é a primeira, reincidente na estupidez.

 

Acaba de vez com essa tendência, desperta a consciência para a verdade a assimilar e pára de lutar contra moinhos de vento instalados no teu interior. Abre os olhos ao amor e tapa com um biombo ou uma cortina as imagens de tudo quanto te possa distrair daquilo que sabes ser o principal, afasta de ti esse mal que corrói a felicidade pela raiz, erva daninha, nunca deixes sozinha essa cabeça desgovernada. Mantém-na acompanhada de um cocktail de lucidez, bom senso e alguma descontracção.

Dá ouvidos ao coração e escuta o que de facto ele tiver para dizer, não te deixes ensurdecer pelo ruído de fundo com que te bombardeia o mundo que sentes hostil no presente que afinal ignora o passado que te desiludiu.

 

Revê de fio a pavio cada passo que irás dar no caminho que estás a traçar, a esperança que queiras depositar num futuro isento de atitudes insensatas e de palavras pouco cordatas e nada consentâneas com a tal vontade de seres perfeito aos olhos de quem te interessa. Deixa primeiro que se reconheça em ti a razoabilidade a par com a sensibilidade para o outro lado da questão.

 

E abandona a perfeição, a tua e a dos outros, como um objectivo. Limita-te a seres proactivo na busca incessante desse travão que no último instante te impede de ires longe demais.

Procura diferentes ideais que efectivamente te conduzam aos resultados melhores, nas amizades como nos amores que angarias entre as poucas pessoas em quem confias, e abraça a vida sem ambicionar mais do que aquilo de que necessitas para seres feliz.

 
Vai por mim, rapaz. Sou eu quem to diz.
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publicado por shark às 16:46 | linque da posta | sou todo ouvidos