A POSTA QUE ÀS VEZES TAMBÉM ME DÁ A VONTADE DE DESAFIAR UM OU DOIS DELES…

Custa-me chamar palhaçada ao que se passou há dias no Parlamento português, um episódio protagonizado por dois deputados da Nação e só por acaso membros das bancadas do partido no poder e do maior partido da oposição.

E custa-me apenas porque respeito os palhaços e isso não corresponde ao sentimento que me inspiram os párias que todos sustentamos numa Assembleia que em muitos momentos só tem servido para embaraçar a República.

 

Claro que sou portuga e que acho um piadão a ver um gajo desafiar outro prá porrada, manifestando a sua bravura a pretexto de uma indignação qualquer, muito macho, muito latino. Contudo, acho-lhe a mesma piada que encontro nas cenas de pancada no Parlamento da Coreia do Sul mas a esses pugilistas de bancada não sou eu quem sustenta os vícios, nomeadamente as baldas, as viagens para a família e todas as mordomias a que ainda acrescentam a imunidade parlamentar que me causa imensa urticária.

 

E é esse pormenor que faz toda a diferença, podendo mesmo abdicar do estafado argumento da dignidade da função que os próprios funcionários insistem em arrastar pela lama, pois o mínimo que se pode exigir aos caramelos que nos representam no Hemiciclo é que não se comportem como alunos do liceu porque esses até nem votam ou pagam impostos e para os representar a eles existem os pais ou familiares mais próximos.

A Assembleia da República não pode albergar comportamentos similares aos da assembleia de sócios do trincadelas futebol clube e, se outros argumentos de caras não bastam para pôr na ordem estes moinantes, basta ter em conta que a malta dos clubes de bairro trabalha por carolice e de borla…

 

Ou seja, mesmo deixando de lado os aspectos mais óbvios e relevantes quanto ao que está em causa na imagem pública dos parlamentares de qualquer república que não a das bananas, não existe sentido de humor que me valha quando assisto, atónito, à figurinha do gajo que alguém elegeu para me representar, a mim povo, no bastião da nossa cada vez mais desgraçada Democracia.

Não me deu vontade de rir porque no mesmo noticiário pude assistir aos apelos dramáticos de alguns cidadãos e contribuintes que dependem do desempenho daqueles rapazolas cheios de pelo na venta mas nada eficazes na sua missão, ao ponto de nem conseguirem evitar desprestigiá-la.

 

E em matéria de desempenho basta termos uma vaga noção do quanto a credibilidade de um deputado pode pesar na sua eficácia para, em relação a esta chusma sem eira nem beira que – maioritariamente - nos parasita quando deveria pugnar pelos nossos interesses e pelos da Pátria, ficarmos conversados.

publicado por shark às 18:13 | linque da posta | sou todo ouvidos