COM DUPLO SENTIDO

menage a trois

 

Tremeu quando lhe reconheceu no olhar a determinação que sempre o levava a avançar com as ideias mais ousadas.

Ele olhava o outro, observava-o com atenção e tentava perceber como lidar com o desejo que não conseguia esconder quando a olhava, aquele homem presente no seu serão.

A conversa não tardou a ser arrastada para o assunto principal, com o anfitrião a impor o tom. E ela, que o conhecia bem, adivinhou-lhe a intenção quando o viu concentrar a atenção do parceiro de mesa na sua companheira, quase como se estivesse a propô-la.

E estava, não tardou a ser óbvio para os três.
 

As garrafas vazias sobre a mesa serviam de atenuante, de argumento fácil para cada um dos convivas justificar o desejo proibido que se desenhava até no ondular do fumo dos cigarros diante dos olhares cada vez mais reveladores.

Ela tremia por dentro, enquanto ouvia os dois homens em sintonia, cada vez mais indiscretos nas suas afirmações, cada vez mais preparados para o passo decisivo no qual a última palavra seria a sua.

E ela queria cada vez mais dizer sim, aturdida com a vontade expressa de ambos de lhe proporcionarem uma experiência inesquecível. Incapaz de encontrar argumentos para dissuadir o corpo daquela reacção feroz, ouvia e desejava cada vez mais a concretização do que se esboçava agora com clareza e não tardaria a chegar ao ponto limite de uma decisão teoricamente difícil de tomar.

 

Mas bastou o seu homem decidir levantar-se num momento crucial. Ela não se reprimiu quando a mão se dirigiu para o chumaço nas calças de ganga, perante o olhar sedento do amigo que entendeu levantar-se também para se expor às suas carícias.

Deixou-se estar sentada, olhos fechados, concentrada em ambas as mãos. Sentia-se possuída por uma emoção que julgava impossível, enquanto tomava consciência do que estava de facto a acontecer ali.

E absorvia-lhes o calor com a pele dos dedos que percorriam as calças dos dois machos que a queriam e não o podiam esconder.

 

Quase em simultâneo, decidiram ambos começar a tocá-la também. No cabelo, no rosto, no pescoço, um de cada lado, e no peito os dois, encantados na partilha do seu corpo, motivados para disputarem entre si os orgasmos melhores que cada um conseguiria produzir naquela magnífica mulher que entretanto já cuidava de desapertar o fecho das calças a cada um, ansiosa pela visão simultânea dos dois homens erectos à sua disposição.

Abocanhou-os à vez, enquanto com as mãos os tocava nos pontos que sabia mais sensíveis daquela anatomia que tanto lhe agradava e cada vez mais a excitava a ideia de se sentir comida pelos dois.

 

Estiveram um bocado assim, com ela a estudar a química do corpo estranho naquela noite em que a loucura acabara de se instalar. Depois foi a hora de se confiar aos dois para que a mimassem, deixou que a despissem e acabou deitada no tapete do chão, entregue ao prazer que ambos se esforçavam por obter para a deixarem rendida.

Sentia-se aturdida pela multiplicação das sensações que eles lhe provocavam em pontos distintos, cada vez mais prontos os três para a esperada consumação.

O exemplo veio do anfitrião, quando entrou nela devagar e indicou ao parceiro o caminho a seguir, a boca bem desenhada que não hesitou em receber aquele visitante agora transformado num amante surpresa.

 

Depois decidiram trocar, enquanto ela lhes lia no olhar tesão ainda maior do que lhe ofereciam, cada um agora no espaço deixado vago pelo outro, empenhados em usufruir do privilégio que ela representava.

E ela já perdera a conta a quantos e a qual deles os devia, aconteciam de surpresa a propósito de qualquer sensação nova e mais intensa, perdida que se sentia no meio dos dois homens que a faziam parecer ainda mais pequena com o seu porte apreciável.

 

Quando um deles se deitou e o outro a colocou em cima dele percebeu de imediato o que a esperava e surpreendeu-se com a forma como o seu corpo já gozava por antecipação. Não tardou a sentir a pressão nos ombros que a inclinava sobre o peito do amigo que a comia e logo a seguir a dupla penetração que a fez julgar-se no céu com o orgasmo que lhe explodiu no corpo e na alma, como o sentiu, quando começou a ser comida ao mesmo tempo pelos dois.

 

Trocaram pouco depois, com ela agora sentada sobre um deles e virada de pernas abertas para o outro que entrou onde podia e ela já não gemia mas antes gritava aquele prazer inédito, animal, toda a fêmea em si ali concentrada enquanto se sentia mais comida do que antes concebera possível.

Era um prazer diferente, uma sensação cada vez mais emocionante enquanto os percebia prestes a deixarem-se vir por a saberem satisfeita. E foi isso que estimulou, com palavras ordinárias que os enlouqueceram em simultâneo para sua alegria.

 

Acabaram os três deitados na mesma cama, qualquer deles com a certeza daquilo que os esperava nesse insólito despertar.

  

publicado por shark às 02:19 | linque da posta | sou todo ouvidos