A POSTA QUE DEU PORRADA DA GROSSA

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O tipo, um asno fanfarrão arraçado de papagaio, nem hesitou quando lhe perguntei se conhecia a Patrícia.

- A Patrícia? Ò meu, aquilo é uma esfrega tal, uma aceleração, um calor, que no fim da cena um tipo até consegue estrelar um ovo nos tomates.

Boquiaberto pela imagem estrelada e pelo teor da resposta fiquei meio à toa, confesso. Mas recompus-me e tentei encaminhar a conversa para aquilo que me interessava.

- Deixa-te disso pá. A sério, conhece-la?

E ele, com um sorriso estampado no focinho lambão, devolveu-me um ar de quem percebe mesmo daquilo e vai a todas.

- Ando a comer a gaja, meu. Atão não havia de conhecer esse material? Umas mamas e um cu...

Tenho que fazer uma pausa na história, tal como o fiz na minha conversa com o pintas. Algures no meu processo de formação pessoal um veterano explicou-me que era de bom tom guardar segredo acerca de certas merdas. Como os melhores recantos para dar uma queca de rua sem receio dos mirones, as melhores barraquinhas de couratos no Estádio da Luz e, de um modo geral, todas as preciosidades que não queremos cobiçadas por demasiadas pessoas.
Nesse manancial da informação de manter secreta incluía-se, claro está, a identidade das mulheres com quem dormíamos. Até porque, como esse "velha guarda" salientou, cai bem às miúdas e torna-nos mais apelativos para as que precisam de fazer a coisa pela surra (sobretudo as casadas, dizia-me ele).

Pela lógica do ponto de vista e, convenhamos, também por me parecer mais digna essa forma de estar, passei a seguir as suas recomendações como uma cartilha.
Mas o Baptista não. Punha a boca no trombone e para ele eram todas uma vacas a partir do momento em que cedessem ao seu encanto natural. Ou o rejeitassem. E chamava-as pelo nome, para que todos tomassem nota de quais as que estavam "marcadas" com o ferro da sua ganadaria de que tanto se orgulhava que não hesitava publicitar.
Porém, essa sua característica acabava de me entalar na conversa. Ainda ponderei a opção de sacudir o assunto com um "por nada, por nada...", ou assim. Mas com o problema posto daquela forma, não me restava uma escapatória. Tinha que dar sequência ao assunto, não fosse o Baptista julgar que eu lhe cobiçava a "mercadoria".
E ele disparou a pergunta inevitável que qualquer um colocaria naquela ocasião.

- Mas porquê?

Tentei ler-lhe nos olhos alguma emoção, para perceber se a Patrícia (por acaso uma tipa inteligente, excelente conversadora e boa onda) tinha algum estatuto especial junto do meu interlocutor. Mas claro que ele, durão e burroso, botou aquele ar de "para mim tanto faz se é patrícia ou joana, marchou e tá a andar". E isso irritou-me um nadinha, até porque todos tínhamos a noção de um Baptista a tender para o gabarola. Daqueles gajos que as comeram todas e mais houvesse. Mas apesar disso ficava-se sempre na dúvida, perante as sumarentas descrições que ele fornecia acerca dos atributos das carradas de amantes na sua boca.
Por isso decidi avançar com a informação à bruta, até porque no dia seguinte já toda a gente saberia no liceu o que se passava e, por ironia, tocara-me contar a cena ao Baptista em frente dos cinco ou seis colegas de turma que me acompanhavam na altura e dos outros tantos da turma dele.
E a verdade doeu, no sorriso que me escapou enquanto a revelava.

- A Patrícia está grávida do teu irmão.
publicado por shark às 12:55 | linque da posta | sou todo ouvidos