A POSTA QUE CÁ SE PAGAM

Há quem diga que só temos consciência do que valemos quando podemos contar com os olhos de outras pessoas nessa avaliação. E boa parte do que somos de facto só acontece no reflexo nos outros daquilo que fazemos acontecer.

Ou seja, se interagimos de forma próxima com alguém e acabamos no absoluto esquecimento não temos grande motivo para vangloriar proezas que, se calhar, não passam de puras invenções com que se afastam as frustrações mal encaixadas.

 

Como fantasmas, as pessoas que só deixam à sua passagem repulsa, indiferença e vontade de as esquecer não passam de assombrações irrelevantes, de gente incapaz de apreciar o melhor que a vida lhes dá e acabam por perder.

Algumas, coitadas, é porque não conseguem. Falta-lhes o carisma ou outra coisa qualquer.

Mas outras exibem igualmente nos actos como nas palavras a sua determinação egoísta, a sua tesão trocista que utilizam em substituição.

 

Da alma que não conseguem reflectir, cinzenta, nos fogachos de pólvora seca de que a sua vida íntima se faz.

Acabam esquecidos/as, claro está. Ou apenas recursos simbólicos, adornos de uma caricatura que desenham no rosto com os esgares do seu desdém pelas pessoas a quem desiludem a toda a hora com a sua prestação sofrível.

 

Existem, contudo, pessoas que conseguem prolongar-se no tempo dos outros pela forma como o ocupam, pelas emoções saudáveis (e duradouras) que suscitam e por aquilo que no fim acaba por definir a mais-valia que constituem para alguém.

Porque são esses outros que nos acarinham e aceitam para o melhor e o pior aqueles que entendemos como pessoas especiais.

 

Os outros são todos iguais, carne para canhão da tecla de delete embutida no nosso arquivo pessoal. Não ocupam espaço no disco tal como não lograram ocupá-lo noutro sítio qualquer, apesar da farronca subjectiva (ainda que corroborada aqui ou além por um ou outro palerminha yesman).

São por regra pessoas apáticas, por demais antipáticas no seu discurso boçal.

Não são de fiar, como algumas espécies de cão e outros animais capazes de morderem a mão que antes lambiam agradecidos pela benesse concedida, pelo privilégio de uma vida que jamais souberam valorizar com a sua intervenção na vida dos outros.

 

Os tais que são a bitola implacável para aquilo que valemos e para a falta que fazemos ou, antes pelo contrário, de quem a maioria decerto preferiria nunca sequer ouvir falar...

  

publicado por shark às 11:15 | linque da posta | sou todo ouvidos