TODOS DIFERENTES, NINGUÉM IGUAL

Fico sempre estupefacto quando alguém (ou eu próprio) privilegia a opção que garanta a prevalência das suas decisões por antecipação, por uma questão de orgulho ou necessidade de afirmação do controlo das mesmas, em detrimento da opção mais consentânea com aquilo que o coração, o impulso ou mesmo a evidência de que seria a mais feliz recomendam.

 

Somos naturalmente parvos quando nos permitimos correr ao sabor daquilo a que chamamos educação, ainda que sintamos que isso colide frontalmente com o que sabemos ser melhor para nós. Isso soa-me à arrogância típica de quem se presume eterno, imortal, e não aceita o facto de que a vida passa mesmo a correr e ninguém adorará um dia a nossa lápide por termos sido alguém "fiel a si próprio" - fiel a presupostos tomados em circunstâncias distintas, leia-se - em vez de termos sido apenas felizes enquanto a oportunidade existiu.

 

Claro que cada um saberá de si e não me compete julgar as posições alheias, restando-me desejar boa sorte no futuro de quem se sinta mais confortável se coerente com as traves mestras da sua formação.

Todavia, custa-me sempre ver preteridas as razões do coração por serem mais fácil de embicar por aquelas que a cabeça um dia ditou. Sinto isso como uma forma de cristalizar no tempo uma realidade que nunca é estática o bastante para não nos contrariar naquilo que acreditámos em tempos, nos tempos em que tal crença nos serviu. 

 

Até pela minha firme convicção de que só mesmo os burros não mudam de opinião.  

publicado por shark às 18:11 | linque da posta