ANDA TUDO DOIDO? NÃO... DEVE SER BOATO... (2)

Quem já tenha passado algum tempo numa pequena localidade belga, caracterizadas por uma pacatez impressionante, ainda fica mais surpreendido com o acontecimento que domina a atenção dos belgas nesta altura.

Dificilmente poderia ser mais hediondo, o crime cometido numa aldeia a cerca de trinta quilómetros da capital de mais um país do norte da Europa a ser manchado por um acto tresloucado de um facínora. A ideia de existir um homem com 20 anos capaz de entrar numa creche para esfaquear indiscriminadamente os bebés ali deixados em aparente segurança pelos pais afigura-se, de imediato, impossível.

Mas agora todos descobrimos que não é.

 

Multiplicam-se na estatística europeia (na americana é o que se vê) estas aberrações, estes exemplos flagrantes de que não existe um limite para aquilo que a crueldade e/ou a loucura humana podem produzir.

E nem sequer podemos atribuir de caras o eclodir destes fenómenos, destas insanidades bizarras, a um factor qualquer. São aleatórios na localização geográfica, na escolha das vítimas e mesmo no perfil dos monstros que de repente se revelam em chacinas inexplicáveis à luz de qualquer abordagem racional.

Este bandalho belga, o mais recente, tem 20 anos. O bandalho austríaco agora a ser julgado por ter transformado a família num harém, Prietzl ou coisa que o valha, é septuagenário...

 

Estes canalhas medonhos que podem germinar em silêncio na porta do lado reúnem a imprevisibilidade e a cobardia inerentes à ameaça terrorista com a desumanidade mais desconcertante que nos pode confrontar. Não existe forma de prevenir, não existe forma de impedir. A desconfortável sensação de insegurança que este tipo de crimes nos instila é demolidora para a confiança que precisamos de depositar nos outros para podermos manter uma vida em sociedade digna desse nome. Para resistirmos ao medo do desconhecido (e do conhecido também) que nos fecha na aparente segurança do casulo que cada vez mais sentimos necessidade de fortificar.

 

Mas como este exemplo tão triste que a Bélgica agora digere nos prova, não é possível acreditar em bastiões inexpugnáveis ou em "santuários" de protecção.

E pouco mais nos resta do que encontrar uma qualquer fé que nos permita acreditar como improvável a mera hipótese de se cruzar no nosso caminho ou no dos que amamos algum monstro tão desumano assim. 

 

publicado por shark às 12:49 | linque da posta | sou todo ouvidos