A POSTA NO MOLHO DE SAPATEIRA

Por norma guardo estes segredos para mim. Contudo, depois dos autênticos insultos como os sinto de cada vez que vejo desperdiçar um animal com uma mistela deslavada entendo tomar esta medida radical.

Os restaurantes e cervejarias desta terra (honrosa excepção aos de Vila Franca de Xira) não sabem ou não querem respeitar esse magnífico animal que é a sapateira. O molho, ou recheio, de uma sapateira não pode ser encarado de forma leviana e feito às três pancadas com Calvé e derivados. Isso e atafulharem o interior do bicho com ovo cozido (uma aberração!)...

 

Só existe uma maionese à altura de uma sapateira fresca e saborosa: Vianeza (a antiga Helmann's). Tirando essa, só penando a fazer uma e todos sabemos o quanto é difícil obter a melhor consistência.

E a mostarda? Jamais Savora ou qualquer outra cujo sabor se imponha sobre o gosto a mar que deve prevalecer num molho em condições. A mostarda deve ser tão neutra quanto possível e nunca se deve ceder à tentação da cor (que deve ser tão fiel ao original quanto se puder).

 

Os pickles são um must. Discretos, mas suficientes. Bem picados para não se dar por eles no meio da confusão. E deitam-se só no fim, na proporção ideal para o sabor obtido na prova.

 

A cerveja, não mais do que o equivalente a duas colheres de sopa, deve ser Super Bock. As outras dão cabo do sabor.

 

E mais do que isto não estou preparado para dizer.

Mas podem crer que sei do que estou a falar e se tiverem tino podem fazer um sucesso com essa criatura magnífica que se alia ao pão torrado com manteiga para nos conferir um empurrão determinante para os mais altos planos de um colestrol a que não podemos virar a cara, sempre que a coisa é feita como deve ser.

 

Depois é compensar noutras refeições. E chorar por mais. 

publicado por shark às 09:26 | linque da posta | sou todo ouvidos