SEM MERDAS

As coisas que realmente importam. Coisas que nos transportam para um patamar que sentimos superior dentro daquilo que somos e de tudo quanto podemos ser pelos outros que nos fazem também. Sentir mais além o que acontece, pelo efeito da interacção sem medo do que a emoção possa arrastar de menos bom.

Os pedaços, que a vida nos oferece sob a forma de gente, de memória, aquilo que se sente de facto, para lá do entorpecimento que a vida igualmente produz e nos tolda à supremacia inadiável do mais belo que só o outro nos permite vislumbrar.

 

A oportunidade de amar alguém de forma incondicional, sem medo do mal que tantas vezes acontece apenas no interior das nossas mentes cicatrizadas pelas águas passadas onde afogámos algures a esperança e debilitámos a confiança a que nos podemos permitir.

Uma nova forma de sentir a importância de quem nos distingue da multidão e estende a sua mão amiga e nos ajuda nos momentos da vida em que todos precisamos de ouvir aquela voz que nos tenta explicar, ou apenas consolar, onde errámos para que possamos corrigir e onde acertámos para que possamos repetir aquilo que nos orgulha por sabermos ser o melhor de que somos capazes e que se revela em todo o seu esplendor sob a influência do amor ou de uma amizade que se preza, na alegria e na tristeza, quando descobrimos essas verdades universais.

 

A sorte de nos sabermos especiais aos olhos de alguém, o impacto que isso tem no sorriso que lançamos ao espelho em cada manhã quando acordamos para usufruir do melhor que a vida tem para nos dar enquanto dura.

A realidade nua e crua da irrelevância dos amigos de circunstância ou das quecas isentas de emoção, desprovidas de uma razão que as consiga eternizar. A verdade despida por detrás de uma realidade vivida sem o desperdício inútil de uma relação fútil seja com quem for. A sinceridade absoluta no amor e na amizade, solidez a toda a prova depois de ultrapassadas as hesitações iniciais e o efeito da surpresa pelo choque da certeza que brota de forma espontânea no solo fértil do sentimento genuíno e nos permite respirar aliviados esse ar tão puro e isento de receios que nos possam atrofiar.

 

A vontade de aproveitar tudo aquilo que os outros nos dão, guiados pelo coração que sabemos melhor conselheiro nas escolhas que fazemos ou nas alternativas que nos assumimos para oferecer a alguém que saiba merecer nada menos do que o melhor de nós.

 

A verdade tão simples, passeando displicente mesmo em frente do nariz tão entupido como o olhar distraído, ineficaz, que passeamos no lado oposto, habitado pelo medo que nos cega e nos constipa, daquele onde nos aguarda um rosto familiar de alguém que nos quer abraçar tal e qual somos e não um qualquer arquétipo da pessoa que nos gostariam.

 

A vida tão bela que erradica qualquer mazela das que o passado nos infligiu em cada lição que nos deu acerca do preço a pagar quando desviamos o olhar daquilo que interessa afinal e nos perdemos por caminhos sem nexo.

 

A vida desejável, tão intensa e agradável como o melhor momento de sexo. 

publicado por shark às 19:50 | linque da posta | sou todo ouvidos