DEMOCRISIA

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Foto: sharkinho

Eles diziam-me: os militantes têm a obrigação de se aproximarem do partido e de se disponibilizarem para qualquer tarefa necessária.
E eu retorquia, mesmo tendo em conta o respeito que me merecia a dedicação daquela rapaziada ao aparelho: essa é boa. Então cada vez a militância está mais manca e nem isso faz com que seja do partido a obrigação de se aproximar das pessoas, de lhes propor projectos a que possam aderir?
E eles insistiam na sua óptica instalada de quem possui a chave da porta e não tenciona partilhá-la com os "de fora".
E eu rebatia, com alusões cruéis à ausência sistemática da esmagadora maioria dos poucos que ainda pagavam as quotas. Tentava provar-lhes que a passividade não servia os interesses da estrutura local.
Não chegámos a qualquer conclusão.

Pouco tempo mais tarde, após dez anos de militância, percebi finalmente qual era o meu lugar na estrutura e agi em conformidade.

Desfiliei-me.
publicado por shark às 19:30 | linque da posta | sou todo ouvidos