O GOLIAS ZANGOU-SE...

Como se previa, começou a retaliação israelita na Faixa de Gaza e com a desproporção de meios costumeira.

Às fisgas barulhentas do Hamas, a aviação do seu poderoso vizinho respondeu com mísseis que arrasaram diversos alvos alegadamente ligados ao que o Governo israelita apelida de terrorismo e terão provocado cerca de duas centenas de mortos.
 
Ninguém no seu juízo perfeito pode aplaudir um acto bélico seja de quem for, mas da mesma forma é impensável esperar que uma nação atingida com dezenas de rockets cruze os braços e busque na diplomacia uma qualquer solução.
É esse o drama daquela zona do mundo e é essa a garantia de perpetuação deste conflito que o tempo acaba sempre por reavivar na sua dimensão mais perturbadora: a das mortes inocentes por tabela, de crianças e de civis cuja culpa é apenas estarem no local errado na pior hora.
 
Ainda assim fica sempre no ar a hesitação entre pender para o lado dos que se limitam a ripostar a uma agressão despropositada ou para o lado daqueles que representam o tipo minorca refilão que recebe em troca da sua crista levantada uma carga de pancada contra a qual não se pode defender.
É simplista, ver as coisas assim, mas é aquilo que nos resta perante a espiral de loucura com que o ódio recíproco daqueles vizinhos desavindos acaba sempre por tingir de vermelho os telejornais.
 
Confesso-me incapaz de tomar partido em causas cuja eventual justeza há muito se perdeu por entre carnificinas sucessivas e actos indignos, cobardes até.
Resta-me apenas a sensação de impotência perante o facto de só o mal poder reclamar a vitória nestas guerras onde a qualquer razão se sobrepõe sempre a perda desnecessária de vidas e de humanidade que resultam de uma ignomínia onde é impossível descortinar qualquer lado que se possa conotar com algo de bom. Ou de racional.
publicado por shark às 13:35 | linque da posta | sou todo ouvidos