UM INVERNO TROPICAL

Um espaço isento de frio, talvez mesmo na margem de um rio, localizado na confluência de dois lábios por unir.

Uma troca de palavras a surgir, das que definem os instantes especiais, as palavras que só se sentem a mais quando um beijo lhes ocupa a posição e o silêncio subsequente acelera o coração de quem finalmente se calou porque precisava daquele calor desejável, da sensação inesquecível que se grava, que se incrusta como pedra preciosa na coroa de sua alteza a paixão.
 
Um tempo isento da emoção contraditória que é a saudade nascida de uma história ainda por começar.
Um gesto ou um olhar que forçam o degelo, a chama que se esgueira pelas frinchas de um espaço a ferver, a boca-de-incêndio para atear aquilo que não se pode apagar de forma racional. O primado do emocional sobre a razão que não controla o coração quando este grita o desejo no calor de um beijo inevitável.
 
Um espaço de tempo memorável, talvez numa noite gelada, talvez na margem de um rio.
 
Uma história agasalhada, bem quente, pelo calor da madrugada amante que se seguiu.
publicado por shark às 21:16 | linque da posta | sou todo ouvidos