GEMER LIBERDADE

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Muzi Mei é o nick de uma colega blogueira que mereceu destaque na edição desta semana da revista TIME.
E o que distingue Muzi Mei do resto da malta que bloga?
É chinesa, é mulher e utiliza o seu blogue como um instrumento para mudar mentalidades. Mas a nossa colega toca muitos instrumentos. Nas suas próprias palavras já tocou muito mais de cem, o que, mesmo sob os padrões chineses, representa uma carrada de metros de pila.
Pila?

Sim. A Muzi Mei é uma ex-jornalista com 27 anos de idade que, num país onde se pode apanhar 10 anos de cadeia por blogar contra os interesses do regime, tanto descreve a sua apetência por orgias e pelo engate na net como a sua relutância relativamente ao casamento por causa da cena da fidelidade a um homem só.
Li Li, de seu nome, é um espírito livre da blogosfera que escolheu a liberdade de amar.
Não há tanques que valham ao governo chinês para esmagar a revolução que a vida sexual dos jovens da nova China está a sofrer.

A intrépida blogueira residente em Pequim crashou o servidor quando decidiu postar uma gravação do som das suas manifestações de regozijo na cama. Cinquenta mil pessoas tentaram fazer o download em simultâneo...
E isto numa terra onde as regras do jogo sexual foram ditadas ao longo de décadas pelo partido do poder. Onde qualquer sinal de rebeldia é tido por uma ameaça e reprimido sem contemplações.
Mas o "problema" que os governantes desta China em acelerada liberalização dos costumes enfrentam é impossível de controlar.

Mais de um terço dos chineses abaixo dos 26 anos de idade defende a legitimidade do sexo extraconjugal. É obra. E prenuncia um mundo onde a Li Li se sentirá como peixe na água, onde proliferam as boutiques de lingerie (Yesss!) e disparou a procura de "brinquedos" para complementar a paródia. Um dos mais bem sucedidos, especialmente desenhado para senhoras, tem o sugestivo nome de "borboleta erótica" e é um absoluto made in China.

Sou um adepto confesso de pessoas como a Muzi Mei. Pela sua coragem, pela sua rebeldia e pela nobreza da causa que defende. E não estou (só) a falar da atitude perante o sexo. Ela advoga a liberdade de escolha sobre a sua vida e sobre o seu corpo, sobre as suas opções, num país onde as autoridades arrepiam pela sua prepotência e inflexibilidade no controlo dos cidadãos.
É uma mulher sensual cuja popularidade reflecte o interesse dos jovens chineses numa mudança de atitude, numa consciência do direito à liberdade de iniciativa individual numa nação onde educar é sinónimo de massificar.

Por isso lhe rendo homenagem nesta posta.
Assim já entendo para que serve a merda de um blogue.
publicado por shark às 13:26 | linque da posta | sou todo ouvidos