NA PEDRA DE GELO

sem querer

Foto: Shark

 

 

Linhas cruzadas, palavras perdidas no eco de uma má tradução.

A morte acidental da emoção no despiste das expectativas em excesso (de velocidade) numa estrada secundária do interior de cada um.

Traços confusos no esboço de um mapa das direcções sem sentido algum, riscos corridos ao sabor do lápis equilibrado nos dedos de uma mão. As dúvidas nascidas da ausência de uma reacção plausível, nenhuma explicação possível para o estreitamento da margem de manobra para os erros a cometer, estão espalhadas pelo asfalto no meio do resto dos cacos de tudo aquilo que se perdeu.
 
A história por acontecer, guardada nos planos sonhadores de aventuras e de amores proibidos, de momentos apetecidos que se resguardam da confusão que a vida se encarrega de instalar.
A história por escrever, bloqueada num engarrafamento de palavras e de ideias enervadas pela espera do avanço que não se produz na falta de ponta da hora marcada para um tempo que nunca existiu.
A paciência que partiu, abandonado pelo caminho o seu meio de locomoção, mãos dadas com a má interpretação de acontecimentos ditados pelo acaso sem cuidado na leitura das estrelas que indicam o rumo a seguir.
 
Linhas cruzadas, palavras erradas na cacofonia de uma péssima canção. O milagre da ressurreição reinventado como elixir da juventude para contrariar o envelhecimento da fé.
Palavras pintadas no muro que cerca um espaço fechado onde antes se trocavam impressões e se viviam as emoções de viva voz, substituídas pelo silêncio dos rabiscos marginais ao sentimento que arranham a parede com mensagens de desilusão.
 
As certezas pintadas na pedra de gelo num dia de Verão…
publicado por shark às 13:47 | linque da posta | sou todo ouvidos