RIP

Consumia o seu tempo sentado num banco a ver a vida passar.

Parecia não o incomodar aquela estranha condição, impávido, ciente das suas limitações, consciente da sua falta de vontade para as contrariar.
Usufruía do tempo como algo a que podia chamar seu e sentia-se milionário quando o gastava assim, à grande, esbanjava-o até. Sem prestar contas a ninguém.
E sabia dar-lhe o valor, precioso, sabendo o pouco que lhe restaria para perder enquanto o ganhava assim, a ver a vida dos outros que passava diante do seu banco habitual naquele jardim.
publicado por shark às 23:40 | linque da posta | sou todo ouvidos