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CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

CHARQUINHO

Sedento de aprendizagem, progrido pelos caminhos da vida numa busca incessante de espíritos sábios em corpos docentes. (sharkinho at gmail ponto com)

24
Nov08

CONTESTATÁRIO OU REFILÃO?

shark

Confirmo as ameaças potenciais por detrás das reacções hostis de quem me enfrenta na contestação.

Sopesando o tom contestatário, para certificá-lo adequado aos níveis hierárquicos, aos padrões convencionais e a outros limites mais ou menos universais, sempre que reagem de forma desagradável recebo um atestado da sua pertinência.
A lógica é simplista mas tem funcionado. Quando alguém nada tem a temer e a menos que se trate de gente parva ou com manias de grandeza, pouco ou nada se perturba com qualquer tipo de contestação. Precisamente porque não faz sentido que tal aconteça, a não ser que quem contesta seja duro de ouvido e insista em demasia na sua alegada razão.
 
Daí que apesar dos contratempos que derivam dessa postura competitiva e da natural urticária por parte de quem sofre de alergia à mínima agitação das águas, chefes, quadros intermédios e assim, sempre abracei a estratégia da contestação como primeiro filtro para as situações que me afectam ou apenas me suscitem dúvidas.
Esta opção acarreta, como qualquer outra, vantagens e inconvenientes. Contudo, se dos aspectos negativos raramente distingo mais do que os danos de imagem costumeiros junto das ordeiras filas de espera para a tosquia, “esse gajo é um radical, está sempre a criar conflitos”, os positivos traduzem-se na proverbial revelação do gato escondido cuja cauda a minha contestação inadvertidamente (faz de conta) pisou.
 
Soa irritante, à partida, um gajo assumir-se contestatário aparentemente apenas porque sim. Mas esse é o erro de palmatória mais comum e tem origem na leviandade de quem presume algum tipo de arrogância nessa opção só porque a assume logicamente hostil, descartando o facto de nunca ficar “impune” uma contestação sem sustentáculo razoável.
Ou seja, quem adopta a contestação como reacção prioritária perante factos por si entendidos como necessários de esclarecer e sobretudo de corrigir faz figura de parvo se não pondera previamente as suas razões e fica a espernear no vazio quando se revela a verdade que transforma a contestação numa simples embirração.
 
Como em quase tudo, é o bom senso que deve presidir à veia contestatária. Deve até ser soberano na sua imposição do caminho a seguir em função das argumentações de quem defenda o alvo da contestação, seja ela qual for, e associar-se à abertura e à presença de espírito essenciais para que tal sistema funcione na perfeição no que respeita ao seu objectivo primordial.
E esse é detectar as fontes de conflito, confrontá-las naquilo que as torna inconvenientes ou desnecessárias e obter assim alguma forma de consenso que permita ultrapassar a questão.
 
Mas essa não é a verdadeira intenção ou até a real motivação por parte da maioria das pessoas que contestam, o que me leva a concluir que nas poucas vezes em que faço figura de parvo por contestar sem pretexto válido acabo por nem dar assim tanto nas vistas.

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